O que achei do filme “Todo o Dinheiro do Mundo”

Cena do filme 'Todo o Dinheiro do Mundo', mostrando J. Paul Getty na frente da sua lareira

Há um grande burburinho em torno de “Todo o Dinheiro do Mundo” (All the Money in the World, 2017), mais novo filme de Ridley Scott, que estreou no Brasil neste mês. Também pudera: o diretor resolveu substituir Kevin Spacey após as denúncias de escândalos que o cercavam, faltando apenas 2 meses para a estreia do longa nos EUA. Em seu lugar, entrou o veterano Christopher Plummer, que entregou um desempenho primoroso.

Em 1973, o sequestro do neto do magnata do petróleo John Paul Getty (Christopher Plummer) deixa sua mãe, Gail Harris (Michelle Williams), desesperada. Os sequestradores exigem 17 milhões de dólares pelo jovem e Gail resolve implorar que Getty efetue o pagamento. Em vez disso, Getty coloca Fletcher Chase (Mark Wahlberg), um homem de sua extrema confiança, para tentar localizar seu neto, utilizando o mínimo de recursos possíveis.

Cena do filme 'Todo o Dinheiro do Mundo', mostrando Gail Harris em uma entrevista coletiva junto com Fletcher Chase

O roteiro de David Scarpa prioriza o drama e o suspense, o que ajuda a dar ritmo à história.  Entretanto, o primeiro ato do longa é um tanto confuso, indo e voltando no tempo: depois que exibe o sequestro do neto de Getty, aí é que o longa mostra os feitos de Getty e a relação com seu filho Getty Jr. e seu neto, de uma forma um tanto brusca. Só depois dessas idas e vindas é que o filme retoma a linearidade.

Como em todo filme biográfico, há eventos suprimidos, alterados e inventados, para fins dramáticos. As alterações mais significativas envolvem os eventos finais do filme. Pode-se dizer, no entanto, que a falta de foco nos demais filhos de Getty, especialmente Gordon Getty, acaba subvertendo os fatos, em prol de uma romantização desnecessária.

Se o longa perdeu no aspecto técnico, com a saída de Kevin Spacey (que usava bastante maquiagem para se parecer com J. Paul Getty), a entrada de Christopher Plummer dá um ar um pouco mais realista para o longa. Supostamente a primeira escolha de Ridley Scott, Plummer domina todas as suas sequências, algo espetacular para alguém que só teve 2 meses para se preparar e gravar todas as cenas, que não são poucas.

Cena do filme 'Todo o Dinheiro do Mundo', mostrando Christopher Plummer e Mark Wahlberg

Michelle Williams também é um dos maiores destaques de “Todo o Dinheiro do Mundo”, com sua interpretação determinada, mas emotiva, ao mesmo tempo. Já Mark Wahlberg não tem grandes momentos, basicamente usando as mesmas expressões que utiliza em seus filmes de ação (e ele nem se envolve tanto com ação aqui). E, não, o ator Charlie Plummer, que interpreta o neto de Getty, não tem parentesco com Christopher.

Com refilmagens que custaram 10 milhões de dólares e mais polêmicas envolvendo os salários pagos para Michelle Williams e Mark Wahlberg, “Todo o Dinheiro do Mundo” só se destaca basicamente pela performance de Christopher Plummer, que recebeu a merecida indicação de Melhor Ator Coadjuvante no Oscar deste ano. Mas o longa tem mais falatório do que relevância propriamente dita.

NOTA: 7.5 / 10