O que achei do filme “O Estranho que Nós Amamos” (2017)

Cena do filme 'O Estranho Que Nós Amamos' (2017), mostrando as moradoras do internato

Em 1864, na Virginia, em plena Guerra Civil Americana, uma pequena jovem encontra o cabo John McBurney (Colin Farrell) bastante ferido na floresta. A jovem o leva para o internato feminino onde mora, que é regido por Martha Farnsworth (Nicole Kidman). Elas decidem cuidar dele até que ele se recupere mais para poder entregá-lo para as autoridades. Mas, pouco a pouco, as moradoras começam a se afeiçoar ao novo hóspede, especialmente Edwina (Kirsten Dunst) e Alicia (Elle Fanning).

Esta não é a primeira adaptação cinematográfica do romance homônimo de Thomas P. Cullinan, originalmente intitulado “A Painted Devil”. Diferente da versão de 1971, desta vez, “O Estranho que Nós Amamos” (The Beguiled) é dirigido por uma mulher, Sofia Coppola, que também escreveu o roteiro desta nova adaptação. Com um currículo que inclui filmes peculiares como “Maria Antonieta” (Marie Antoinette, 2006) e “Bling Ring: A Gangue de Hollywood” (The Bling Ring, 2013), Sofia faz o que pode-se considerar um filme mais tradicional.

Cena do filme 'O Estranho Que Nós Amamos'(2017), mostrando o cabo McBurney ao lado de Alicia

Aqui, a direção de arte e a fotografia são os maiores destaques. Sofia opta por tons mais escuros e vários planos gerais, que dão uma beleza singular às cenas, assim como ajudam a descrever melhor o espaço onde se passa a história. Mas a edição abrupta prejudica um pouco o desenvolvimento da história, tornando um tanto apressado o ritmo do longa. A trilha sonora é bastante simplista e prioriza os efeitos sonoros.

O filme conta com um elenco mínimo, mas eficaz. Nicole Kidman e Kirsten Dunst possuem uma presença de cena muito forte e contracenam muito bem juntas, sendo responsáveis pelas melhores sequências do longa. A performance de Colin Farrell também é marcante e progride com o passar do filme. Ainda faz parte do elenco a jovem Elle Fanning que, mesmo com menos cenas, acerta em suas expressões e trejeitos.

Cena do filme 'O Estranho Que Nós Amamos'(2017), mostrando Edwina

Apesar dos pequenos problemas de ritmo, “O Estranho que Nós Amamos” é um dos melhores trabalhos de Sofia Coppola, que acerta na nova abordagem da adaptação. O filme foi bem recebido pela crítica e ganhou o prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes deste ano. Talvez o longa não tenha material suficiente para concorrer ao Oscar nas categorias de atuação, mas a fotografia aqui pode conquistar alguma indicação.

NOTA: 8 / 10