O que achei do documentário “Gaga: Five Foot Two”

Pôster do documentário 'Gaga: Five Foot Two'

A artista Lady Gaga está vivendo uma nova fase, como foi possível perceber através de seu último álbum, “Joanne” (2016). Como se já fosse possível prever a reação dos fãs de seu estilo anterior, mais ousado e, por vezes, caricato, Gaga se uniu à Netflix para produzir um documentário que ilustra bem tudo o que ela já vinha falando há algum tempo. A produção foi lançada mundialmente na última sexta-feira na plataforma com o título “Gaga: Five Foot Two”, que remete à altura da artista, que é de aproximadamente 1,57m.

O documentário segue a artista ao longo da gravação e lançamento de “Joanne”, da participação em “American Horror Story: Roanoke” (2016) e mostra os bastidores da apresentação da artista na final do Super Bowl deste ano. Gaga ainda lida com o fim do noivado com o ator Taylor Lautner, as dores excruciantes da fibromialgia (doença que a tirou do “Rock in Rio” deste ano) e vários momentos de insegurança e fragilidade.

Foto de cena do documentário 'Gaga: Five Foot Two', mostrando Gaga se olhando no espelho

Se o objetivo era mostrar o quanto a artista Gaga é humana e sofre com desilusões amorosas (a cantora enumera todas, por sinal) e problemas de saúde, o documentário se mostra efetivo. Mas o ritmo corrido do documentário o torna um pouco cansativo. Outro problema é o misto de histórias, às vezes desnecessárias. Por exemplo, pouco acrescenta ao documentário a participação da cantora em “American Horror Story”. É uma sequência bem curta e serve apenas para mostrar mais uma atividade na vida da artista.

E, apesar de mostrar diversas histórias da vida de Gaga, o documentário não se aprofunda em muitas delas. Por exemplo, não se sabe como a cantora lidou com as críticas de seu novo estilo, ou de seu primeiro single “Perfect Illusion”. Fica a sensação de que a história é apresentada, mas não é concluída. Também é mostrado um grande esforço do produtor Mark Ronson para concluir o álbum para apresentar para os executivos da gravadora de Gaga, mas não se sabe o fim dessa história também.

Cena do documentário 'Gaga: Five Foot Two', mostrando Gaga sentada em uma maca, conversando com uma médica

Mas há bons momentos em “Gaga: Five Foot Two”. A sequência em que Gaga toca “Joanne” para sua avó é emocionante mesmo para os espectadores. Os momentos em que a fibromialgia ataca a artista também são de dar pena. Sem esquecer do lúpus que também a acomete, Gaga busca tratamentos para suas enfermidades e isso provoca a reflexão sobre a fragilidade e a humanidade de Gaga.

Com uma direção confusa e um ritmo cansativo, o documentário de Gaga parece uma oportunidade perdida de mostrar a força e as ideologias que formaram a artista, em meio às inseguranças e enfermidades. “Gaga: Five Foot Two” marca mais pela sensação de que Lady Gaga está em uma fase mais frágil e parece um pedido de compreensão de seu público em relação ao momento que está passando.

NOTA: 7 / 10