O que achei da série “Law & Order True Crime: The Menendez Murders”

Cena de episódio de 'Law & Order True Crime: The Menendez Murders', mostrando Leslie Abramson

Na última semana, chegou ao fim nos EUA a primeira temporada da série “Law & Order True Crime”, que seguiu a carona de “American Crime Story” e também dramatiza o desenrolar de um crime notório. Assim, as comparações são inevitáveis. Também no formato de antologia, a primeira temporada, intitulada “The Menendez Murders”, mostrou todas as fases do julgamento de Lyle (Miles Gaston Villanueva) e Erik Menendez (Gus Halper) pelo assassinato de seus pais, ocorrido em 1989.

A defesa dos dois ficou a cargo de Leslie Abramson (Edie Falco), que recrutou Jill Lansing (Julianne Nicholson) para fazer parte de sua equipe. Com uma estratégia baseada nos relatos de abuso sexual e ameaças de morte por parte do pai dos réus, a ideia era alegar legítima defesa. O júri não conseguiu consenso e o julgamento foi anulado.

Cena de episódio de 'Law & Order True Crime: The Menendez Murders', mostrando Lyle sendo preso pela polícia

Mas a Procuradoria não descansou e entrou novamente com a acusação contra os jovens, de forma mais agressiva. No segundo julgamento, Jill foi substituída por Barry Levin (Harry Hamlin) e o juiz Weisberg (Anthony Edwards) passou a buscar maior objetividade, minando a estratégia da defesa. Como resultado, em 1996, Lyle e Erik acabaram condenados à prisão perpétua por homicídio qualificado.

Apesar de ser inspirada em “The People v. O.J. Simpson”, “The Menendez Murders” não seguiu nenhum livro específico como guia, apoiando-se em pesquisas realizadas pela equipe de produção em documentos oficiais e artigos de jornais e revistas. Não é difícil encontrar na Internet, no entanto, matérias que apontam grandes diferenças em relação aos fatos, algo que prejudica um pouco o impacto da série sobre o espectador. Apesar disso, as alegações da defesa e as arbritrariedades da corte não deixam de ser perturbadoras.

Cena de episódio de 'Law & Order True Crime: The Menendez Murders', mostrando Lyle e Erik ao lado de Jill

Falando especificamente sobre o que foi apresentado, “The Menendez Murders” começa com um ritmo bem irregular mas, aos poucos, a série entra nos eixos e aí é que se passa a ter uma maior empatia pelos personagens. Ao mesmo tempo, é possível perceber uma certa falta de imparcialidade na história, já que o foco passa a estar na equipe de defesa. Um exemplo é o cross-over com o caso de O.J. que, mesmo tendo sido bem articulado, só serviu para o propósito de mostrar que a Procuradoria estava “pegando mais leve” com a celebridade.

O trabalho de caracterização dos personagens é muito bom, com destaque para as advogadas de defesa, que parecem muito com suas contrapartes. Diferente de “The People v. O.J. Simpson”, não são exibidas filmagens verdadeiras da época, o que poderia dar um maior respaldo para a história apresentada. Há uma excessiva utilização do recurso de flashback, que ainda é realizado de uma forma bastante clichê. E, nas circunstâncias em que foi utilizado, o recurso pode dar a entender que os flashbacks mostrados são fatos reais, como os abusos sofridos pelos réus, mas isso nunca foi realmente provado, caracterizando um desserviço, de certa forma.

Ao contrário de “The People v. O.J. Simpson”, o elenco aqui é bem menos estelar e isso já diminui muito de sua popularidade. Ainda assim, há ótimas performances nesta temporada. Sem dúvidas, Edie Falco é a força que movimenta a série. Depois que sua personagem assume o caso dos Menendez, a série toma outro rumo e isso influencia positivamente qualquer um que contracene com ela.

Cena de episódio de 'Law & Order True Crime: The Menendez Murders', mostrando Edie Falco como Leslie Abramson

A presença de Falco beneficia Miles Gaston Villanueva e principalmente Gus Halper, cuja performance é realmente tocante. O ator ainda tem o cuidado de demonstrar a progressão emocional de Erik ao longo dos anos. A série ainda conta com os ótimos desempenhos de Julianne Nicholson e Anthony Edwards, com performances que complementam o já excelente trabalho de Falco, cada um à sua maneira.

Faltou muito para que “Law & Order True Crime: The Menendez Murders” chegasse no mesmo nível que a antologia criminal de Ryan Murphy, especialmente em seu roteiro. Mesmo com um ritmo que melhora progressivamente, a falta de imparcialidade é um grande problema, especialmente para este gênero. Cabe a Edie Falco ser o grande incentivo para se assistir esta primeira temporada.

NOTA: 7.5 / 10

Cena de episódio de 'Law & Order True Crime: The Menendez Murders', mostrando o advogado Barry Levin e Erik ao lado de Leslie