O que achei do filme “A Série Divergente: Convergente”

Pôster do filme 'A Série Divergente: Convergente'

Na onda de filmes baseados em best sellers da literatura infanto-juvenil, a série de livros “Divergente” (Divergent), iniciada por Veronica Roth em 2011, começou a ser adaptada para o cinema em 2014. E, assim como foi feito com os últimos filmes da sagas “Harry Potter” e “Jogos Vorazes”, o último livro da trilogia foi dividido em 2 filmes. Em março deste ano foi lançado nos cinemas “A Série Divergente: Convergente” (“The Divergent Series: Allegiant”), o terceiro filme da franquia (correspondente à primeira parte do final), que se mostra extremamente confuso e contraditório, em comparação com os anteriores.

O filme inicia logo após os eventos de “A Série Divergente: Insurgente” (The Divergent Series: Insurgent, 2015), onde a 100% divergente Tris (Shailene Woodley) abriu a Caixa de Pandora e descobriu que tudo o que vivenciam é parte de um experimento e que o mundo real os aguarda, além das muralhas da cidade. Após matar Jeanine (Kate Winslet), Evelyn (Naomi Watts) decide executar os seus seguidores, além de impedir que as demais pessoas saiam da cidade. Tris, Quatro / Tobias (Theo James), Caleb (Ansel Elgort), Christina (Zoë Kravitz) e Peter (Miles Teller) conseguem escapar da cidade e são encontrados pela civilização que está por trás do experimento. Mas a verdade não é bem aquela que foi dita pela Caixa.

Foto de cena do filme 'A Série Divergente: Convergente', mostrando Tris e os demais fugindo da cidade

Se o primeiro filme da saga se mostrou promissor e o segundo manteve o nível, este terceiro filme não é nada menos que decepcionante. Em parte, o problema já reside na obra original, onde Tris vinha demonstrando potencial para ser uma heroína forte e, neste capítulo, retrocede e acaba se tornando uma mera coadjuvante, tomando decisões bem questionáveis. Quatro / Tobias é quem dá o rumo desta história, embora não seja o divergente puro. Mas o roteiro também não trata bem a revelação sobre o experimento e acaba por confundir ainda mais o espectador.

Os problemas de adaptação do livro estão muito mais evidentes neste longa e, provavelmente, os fãs da saga literária não vão gostar das diversas mudanças. Por exemplo, enquanto no livro a Aliança desempenha um papel mais importante (inclusive é o nome do livro / filme), aqui o grupo não faz diferença. Outro exemplo é que a grande maioria dos recursos tecnológicos que é utilizada no filme (como as bolhas de plasma que são utilizadas para transporte ou até mesmo a sequência de batalha quando Tris decide usar a nave de David para voltar para Chicago) não existe na obra original e, na verdade, são tentativas de tornar a história ainda mais sci-fi, mas terminam por desviar o foco dos acontecimentos da história.

Foto de cena do filme 'A Série Divergente: Convergente', mostrando Tris conversando com Christina

Os efeitos visuais são (ab)usados ao longo de quase todo o filme. Apesar da frequência exagerada, eles são bem realizados. As sequências fora da cidade lembram muito “Mad Max: Estrada da Fúria” (Mad Max: Fury Road, 2015), mas sem a belíssima fotografia e com bem menos ação. A edição está bem estranha: alguns cortes dão a impressão de que um personagem ainda ia fazer ou falar alguma coisa na cena. E, enquanto a Katniss de “Jogos Vorazes” desfila lindos e ousados figurinos, as vestes de Tris são tão simplórias que apagam ainda mais a personagem neste capítulo da franquia.

Falando na protagonista, Shailene Woodley faz o que pode com a personalidade apática de Tris neste capítulo, mas sua personagem não tem sequências tão boas quanto nos filmes anteriores. Theo James, por outro lado, aproveita as melhores oportunidades que tem e domina suas cenas, fazendo Quatro / Tobias ofuscar uma confusa Tris. Como vem fazendo bem desde o primeiro filme, Miles Teller incorpora bem a personalidade desprezível de Peter, mas carrega um pouco no tom cartunesco do personagem na segunda metade do longa. O filme ainda conta com uma subutilizada Octavia Spencer e com a presença de Naomi Watts (como Evelyn) e Jeff Daniels (como o antagonista David), que conseguem entregar boas performances de seus respectivos personagens.

Cena do filme 'A Série Divergente: Convergente', mostrando a Aliança se preparando para atacar os Sem-Facção

Por fim, “Convergente” foi tão mal-recebido por público e crítica que as consequências não demoraram a surgir. De acordo com a Variety, o último filme da saga, “A Série Divergente: Ascendente” (“The Divergent Series: Ascendant”), deve ser lançado para televisão. E não é só isso: com cortes no orçamento, existe a possibilidade de que alguns dos atores não voltem a repetir seus papeis no próximo filme. Estas novas informações não foram confirmadas pela Lionsgate, o estúdio responsável, mas já era sabido que o último longa estava programado para ser lançado em Junho do próximo ano. Será que ainda há salvação para esta adaptação cinematográfica?

NOTA: 5.5 / 10

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