O que achei de “Attack on Titan, The Movie: Part 1”

Foto do elenco principal do filme 'Attack on Titan, the Movie: Part 1'

Se quer conhecer esta saga, recomendo passar longe do filme…

Attack on Titan (Shingeki no Kyojin) é um manga japonês criado por Haijme Isayama em 2009 que conta a história de um mundo onde a humanidade vive dentro de cidades cercadas por muralhas que as protegem do titãs, criaturas canibais gigantes. Um dia, um titã colossal (maior que a muralha) aparece inesperadamente e abre passagem para a invasão dos titãs que rondavam a cidade de Shinganshina. Os irmãos Eren Jeager e Mikasa Ackerman conseguem escapar da invasão, mas presenciam o momento em que um dos titãs devora sua mãe. Depois disso, Eren jura que vai vingar a morte de sua mãe destruindo todos os titãs. Tem muito mais coisa além disso, mas a premissa básica é essa.

O manga continua sendo publicado e é extremamente popular no Japão. A história vem sendo adaptada para anime, jogos de videogame e, agora, chegou ao cinema. O anime reproduz fielmente as sequências ilustradas do manga e a movimentação dos personagens durante as batalhas é muito bem animada (considerando que, ultimamente, a qualidade dos animes vem caindo drasticamente). Os fãs, então, ficaram muito animados com as grandes possibilidades da adaptação cinematográfica. Seguindo a tendência Hollywoodiana, a adaptação foi dividida em 2 partes, mas ambas serão lançadas neste ano (a primeira foi lançada em agosto e a segunda foi lançada ontem no Japão).

Foto de recrutas durante batalha com um titã no filme 'Attack on Titan, the Movie: Part 1'

Vamos ao filme, então… A história original serviu apenas como inspiração: há muitas diferenças entre o manga e o filme, a começar pela premissa básica que descrevi acima. Eren e Mikasa são namorados e a motivação de Eren passa a ser o desaparecimento de Mikasa durante o ataque inicial dos titãs. Muitos personagens foram excluídos, outros foram alterados (no original, os personagens possuem diversas etnias; no filme, todos são japoneses) e alguns foram incluídos (Shikishima é a adição mais notável).

Mesmo considerando toda a liberdade criativa dos roteiristas, o filme não se salva. Eren não desperta nenhuma empatia, embora seja o personagem principal. O treinamento dos recrutas foi totalmente suprimido, fazendo com que o público fique sem saber quanto Armin é inteligente e as nuances do conflito entre Eren e Jean, que são pincelados de forma muito simples no filme. Sem contar o lance que há entre o Eren e uma personagem nova, que se mostrou bem desnecessário!

Foto da cena, escura, de um recruta prestes a atacar um titã no filme 'Attack on Titan, the Movie: Part 1'

O filme é muito escuro e os efeitos especiais são fracos. As cenas em que os personagens estão se movimentando utilizando o equipamento de manobra tridimensional são mal-executadas (cabelos esvoaçando de forma irregular, velocidade de queda irreal, diferença de luz, etc). Os titãs são toscos como no manga, mas as cenas em que eles devoram os humanos não causam horror, chegam a ser hilárias.

Como não podia deixar de ser diferente, o filme foi massacrado pela crítica e pelos fãs. O autor do manga se manifestou a respeito afirmando que todas as liberdades criativas foram bem recebidas por ele; uma dessas liberdades foi proposta por ele, inclusive: a etnia dos personagens. Ele também disse que está ciente de que uma parte do público não gostou do filme e recomendou àqueles que não viram ainda que assistam ao trailer estendido (está no final do post) para tomar a decisão de ver ou não. Por sinal, já li algumas matérias dizendo que a parte 2 do filme consegue ser pior que a primeira.

Enfim, é uma pena que uma história tão fantasticamente eletrizante tenha sido tão mal-adaptada para o cinema. O meu conselho é: assista ao anime, que só tem uma temporada até o momento. A próxima está prometida para 2016.

NOTA: 4 / 10