ESPECIAL LONDRES – O que achei do musical “Kinky Boots”

Foto de cena do musical londrino 'Kinky Boots'

A primeira vez que se ouviu falar de “Kinky Boots” foi com o lançamento do filme homônimo em 2005 que, no Brasil, ganhou o nome de “Fábrica de Sonhos”. O longa não chegou a fazer muito barulho, mas ficou na memória de muitos espectadores. Daryl Roth era uma delas e, com todo o seu background de musicais da Broadway, viu potencial e resolveu produzir uma adaptação musical do filme para a Broadway.

A história do musical é a mesma do filme (que, por sua vez, é inspirada numa história real): Charlie Price (David Hunter) herdou uma fábrica de sapatos de seu pai e, com a queda dos negócios, buscava alguma forma de salvar o legado da família. Quando ele conhece a drag queen Lola (Matt Henry), percebe que a salvação da empresa pode estar nas peculiares botas de cano longo que as drags utilizam em seus shows. E é através dessa parceria que os dois vão descobrir que têm mais em comum do que imaginam.

Cena do musical londrino 'Kinky Boots', mostrando Charlie sobre uma máquina com as botas de cano longo vermelhas

O roteiro ficou a cargo de Harvey Fierstein, o nome por trás da adaptação musical de “A Gaiola das Loucas” (La Cage aux Folles, 1983), e as canções originais foram criadas por ninguém menos que Cyndi Lauper, em seu trabalho de estreia como compositora para um musical. Com o time completo, a montagem da Broadway iniciou em Abril de 2013 e segue em cartaz desde então.

Nada seria mais justo do que levar o sucesso de “Kinky Boots” para o Reino Unido, onde tudo começou. A montagem no West End londrino iniciou em Setembro de 2015, no Adelphi Theatre, e continua em cartaz. E, também, a versão londrina fez bastante sucesso entre o público e a crítica e, assim como a versão da Broadway, ganhou um álbum próprio com a trilha sonora, que venceu foi indicada a um Grammy neste ano.

Cena do musical londrino 'Kinky Boots', mostrano Matt Henry como Lola

O musical caiu nas graças das premiações de teatro. “Kinky Boots” venceu o Tony de Melhor Musical em 2013 (nos EUA) e o Olivier de Melhor Novo Musical em 2016 (no Reino Unido). Cyndi Lauper venceu o Tony por suas composições e os atores que interpretaram Lola venceram os prêmios de Melhor Ator em suas respectivas cerimônias.

Alternando entre a comédia e o drama, “Kinky Boots” tem uma energia altamente contagiante. As performances onde Lola se junta às suas amigas drags são um show de coreografia e acrobacias. As músicas de Cyndi Lauper são bastante cativantes e algumas delas enaltecem a potência vocal dos atores. Mas, para ter um bom aproveitamento, é necessário ter o inglês afiado; há, inclusive, piadas criadas especificamente para o público britânico.

A performance de Matt Henry foi impressionante, principalmente nas canções mais emotivas, como a belíssima “Not My Father’s Son”. Não é a toa que o ator recebeu o prêmio de Melhor Ator em um Musical, nos Olivier Awards de 2016. David Hunter também não deixa a desejar e expõe tons de voz elevadíssimos e afinados no solo “Soul of A Man”.

“Kinky Boots” é um musical bem produzido, que conta uma história com a qual é possível se identificar, de forma bastante leve e bem-humorada. As montagens americana e londrina ainda estão em cartaz e, graças à procura, devem continuar por um bom tempo.

NOTA: 9 / 10

PS: Este review foi feito com base em uma performance de Julho de 2017. Lola agora é interpretada por Simon-Anthony Rhoden.

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