O que achei do álbum “The Thrill of It All”, de Sam Smith

Capa do álbum 'The Thrill of It All', de Sam Smith

3 anos depois de “In the Lonely Hour”, Sam Smith está de volta com um novo trabalho, já sentindo a pressão por alcançar o mesmo sucesso de seu álbum de estreia. Depois de promover alguns singles, o artista lançou “The Thrill of It All” em várias mídias na sexta-feira passada. Apesar de contar com grandes nomes na produção, como os produtores Timbaland e StarGate, o novo álbum de Sam Smith mostra que o cantor resolveu não ousar demais.

O álbum abre justamente com o primeiro single, “Too Good at Goodbyes”, uma das melhores faixas do disco. Aqui, a ideia é de que os sofrimentos passados devem servir de aprendizado em uma nova relação. Essa temática segue com “One Last Song” e a excelente “Baby, You Make Me Crazy”. Esta última, com uma mensagem de superação, conta com a participação dos Dap-King Horns e é uma das poucas músicas animadas neste novo álbum de Sam Smith.

Foto promocional de Sam Smith na fase 'The Thrill of It All

No entanto, ainda há músicas tristes sobre fim de relacionamento, como em seu álbum passado, o que pode soar repetitivo. Por exemplo, “Say It First” e “Nothing Left For You”, que demonstram a grande insegurança de se iniciar um novo relacionamento quando as feridas passadas ainda doem. Ainda há canções sobre essas feridas, como “Burning” e “No Peace”, esta um dueto com Yebba, uma cantora recém-descoberta no YouTube.

Mas há gratas surpresas no novo álbum, que fogem dessas temáticas. Por exemplo, “HIM”, que representa o desabafo de um jovem para o pai (ou O Pai Celestial) sobre a sexualidade. Outra canção que funciona bem é a já promovida “Pray”, produzida por Timbaland, que é uma reflexão sobre o poder da oração mesmo para os que não tem fé. E “Scars” é uma linda declaração de amor de Sam para seus pais.

O tom simplista de algumas canções mais tristes ajuda a criar o clima melancólico já conhecido pelos fãs do artista, mas é notória a evolução em algumas músicas. Há uma pequena incursão pelo hip-hop em “Pray”, assim como a participação de um coral gospel, que também aparece em outras faixas do álbum. Apesar das surpresas, faltou um pouco de ousadia. Talvez por medo de decepcionar sua base de fãs, o cantor continuou investindo em canções que remetem à relacionamentos, que podem soar um tanto repetitivas.

Foto de performance deste ano de Sam Smith no Saturday Night Live

Em “The Thrill of It All”, Sam Smith tem mais êxito quando desvia da temática de desilusão amorosa, recorrente em seus sucessos. Mesmo assim, o álbum lidera as vendas no iTunes e deve estrear na primeira colocação da parada de álbuns da Billboard. O segundo single do álbum será “One Last Song”, que deve fazer algum sucesso justamente por ter uma vibe mais otimista. As melhores músicas, na minha opinião, são: “Too Good at Goodbyes”, “Baby, You Make Me Crazy”, “Pray” e “HIM”.

PS: Este review foi feito com base na versão “Special Edition” / “Deluxe”. A versão padrão não inclui as músicas “Scars” e “The Thrill of It All”. Já a versão vendida pela loja Target e a versão física japonesa possui todas as músicas da “Special Edition” além de duas músicas extras: “Leader of the Pack” e “Blind Eye”.

NOTA: 7.5 / 10