O que achei do filme “Lady Bird – A Hora de Voar”

Cena do filme 'Lady Bird: A Hora de Voar', mostrando Lady Bird e Danny caminhando

Quem nunca assistiu a um filme protagonizado por um adolescente passando por crises existenciais? “Lady Bird – A Hora de Voar” (Lady Bird, 2017) faz isso com tanta verossimilhança que impressiona. A estreia como diretora solo de Greta Gerwig (Frances em Frances Ha, 2012) não podia ter sido melhor: o longa está recebendo ótimas avaliações da crítica e ainda está recebendo indicações em diversas premiações de cinema.

O maior desejo de Christine McPherson (Saoirse Ronan) é concluir o ensino médio e fazer faculdade longe de Sacramento, Califórnia, onde mora com sua família. Este é um dos vários motivos pelos quais ela sempre discute com sua mãe (Laurie Metcalf), mas Lady Bird (como ela exige ser chamada) é determinada e está disposta a fazer de tudo para conseguir seu objetivo. Isso tudo em meio a sua vida no colégio católico, os primeiros namoros e descobertas.

Cena do filme 'Lady Bird: A Hora de Voar', mostrando Lady Bird e sua mãe em um brechó

Ao assistir “Lady Bird”, não é difícil lembrar de “Boyhood: Da Infância à Juventude” (Boyhood, 2014), pela naturalidade com que os eventos vão acontecendo na vida de Lady Bird. O roteiro explora com sensibilidade várias situações típicas da adolescência, sem didatismos ou grandes lições de moral. Mas, como diversos filmes com a mesma temática, a história faz uso de alguns clichês. O maior diferencial do longa reside no roteiro, que também possui diálogos muito bem escritos.

A performance de Saoirse Ronan é um dos principais destaques de “Lady Bird” e demonstra a versatilidade da atriz, depois de um papel bem mais maduro como a Ellis em “Brooklin” (Brooklyn, 2015). E quando ela contracena com Laurie Metcalf, outra grande potência do longa, fica evidente a sintonia entre as duas atrizes, que transmitem cumplicidade e um grande talento. Ambas as atrizes têm chances de conquistar indicações nas premiações de cinema (Saoirse já venceu o prêmio de melhor atriz em filme de drama no último Golden Globe).

Cena do filme 'Lady Bird: A Hora de Voar', mostrando Lady Bird ao lado de sua amiga, Julie

Outros destaques do filme são Beanie Feldstein e Timothée Chalamet. Feldstein, ainda iniciante nas produções cinematográficas, tem uma química muito boa com a protagonista e ainda está nas cenas mais divertidas. Já Chalamet, cuja atuação neste filme é bem acertada, não é um estranho para o mundo do cinema e também é um dos protagonistas de “Me Chame Pelo Seu Nome” (Call Me by Your Name, 2017). O longa conta ainda com a boa participação de Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar, 2016). Já outro nome conhecido, John Karna, da série de TV “Scream” (2015-), mal aparece e sequer fala.

Com história e personagens cativantes, “Lady Bird – A Hora de Voar” deve receber indicações no Oscar que se aproxima e não seria de todo surpreendente que Greta Gerwig estivesse entre os nomes para Melhor Direção e Melhor Roteiro. Com a boa repercussão, a estreia do longa em terras brasileiras foi antecipada para o dia 15 de Fevereiro.

NOTA: 8.5 / 10

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