ESPECIAL BLACK MIRROR — O que achei do episódio “Fifteen Million Merits”

Foto promocional do episódio 'Fifteen Million Merits', da série 'Black Mirror'

Quando completam a maioridade, as pessoas precisam pedalar em bicicletas que recarregam a energia do mundo em que vivem. Conforme pedalam, as pessoas ganham “merits”, que funcionam como a moeda local, necessária para praticamente tudo. Nesse mundo, Bing (Daniel Kaluuya) conhece Abi (Jessica Brown-Findlay) e a convence de participar de um show de talentos, para ficar famosa e não precisar continuar “escrava”.

Mesmo não se passando no mundo contemporâneo, “Fifteen Million Merits” não é exatamente diferente da realidade. O ato de pedalar pode ser visto como uma forma de trabalhar, recompensada financeiramente. As moradias são cubículos tão padronizados quanto as vestimentas; a exceção são aqueles que têm algum poder financeiro ou de influência — o que não deixa de ser assustadoramente parecido com o que já vivemos.

Mas a maior crítica do segundo episódio da primeira temporada de “Black Mirror” envolve a indústria do entretenimento. Similar aos atuais “X-Factor” e “American Idol”, o show de talentos é manipulado e ainda objetifica seus participantes, que não veem outra forma de escapar da escravidão a não ser se sujeitar a esse julgamento público. O dilema é: jogar o jogo deles ou perecer sem perspectivas?

Cena do episódio 'Fifteen Million Merits', da série 'Black Mirror', mostrando Bing em sua audição no show de talentos

Uma das curiosidades que envolve o episódio é a primeira aparição da música “Anyone Who Knows What Love Is (Will Understand)”, que se transformou uma espécie de easter egg da série, pois aparece em pelo menos um episódio de cada temporada. Aqui, a canção é cantada pela própria Jessica Brown-Findlay, mas a versão original, cantada por Irma Thomas, pode ser ouvida durante os créditos do episódio.

Mesmo um pouco longo, “Fifteen Million Merits” é um dos melhores episódios da série “Black Mirror”, provocativo e assustadoramente contemporâneo. As performances dos protagonistas são cativantes, sobretudo de Daniel Kaluuya, que cresce bastante no decorrer do episódio, que também tem efeitos visuais muito bons.

NOTA: 8.5 / 10

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