O que achei do filme “Blade Runner 2049”

Pôster do filme 'Blade Runner 2049'

O longa “Blade Runner, o Caçador de Andróides” (Blade Runner, 1982) se tornou um clássico da ficção científica e é cultuado até hoje. Então, seria natural que fosse produzida uma sequência, o que só veio acontecer 35 anos depois! Trazendo Harrison Ford novamente ao papel de Deckard, “Blade Runner 2049” estreou nos cinemas este mês com uma grande missão: respeitar a obra original e, ao mesmo tempo, ser tão marcante quanto.

Em 2049, uma nova espécie de replicantes obedientes aos seres humanos é desenvolvida, pela Wallace Corporation. O blade runner K (Ryan Gosling) é um deles, caçando e “aposentando” os replicantes remanescentes produzidos originalmente pela Tyrell. Em uma de suas batidas, K descobre que a replicante foragida Rachael (Sean Young) conseguiu engravidar, algo até então impensável. Ao mesmo tempo em que busca a criança, K acaba passando por uma jornada de autoconhecimento.

Cena do filme 'Blade Runner 2049', mostrando K e Deckard correndo

A sequência foi dirigida por Dennis Villeneuve, nome aprovado por Harrison Ford e Ridley Scott, este último diretor do primeiro filme e produtor executivo deste. Hampton Facher, outro nome da obra original, concebeu a história da sequência, que é cheia de referências aos acontecimentos do filme de 1982. Mesmo guardando bem o mistério que cerca a história, o ritmo do roteiro é um tanto cansativo, mostrando o personagem K investigando cada pista que encontra em seu caminho, ao longo das quase 3 horas de duração do longa. Falta também um momento tão icônico quanto o monólogo de Roy no primeiro filme.

Uma das características que impressionava em “Blade Runner” (1982) era o visual muito bem produzido para os padrões da época. Esta sequência também mostra força em suas sequências visuais e não deixa de ser impressionante a tecnologia utilizada para o rejuvenescimento de Rachael. O bom trabalho de Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch, que substituíram Jóhann Jóhannsson, é rico em melodias tenebrosas e sons ruidosos, que ajudam a evocar o clima sinistro do futuro representado no filme.

Cena do filme 'Blade Runner 2049', mostrando Joi e K

Ryan Gosling é um androide completo durante sua atuação, inexpressivo na maior parte do tempo. O ator pouco exprime emoções, mesmo em sua voz. Se comparada a atuações de outros replicantes como, por exemplo, Sapper (Dave Bautista), que aparece na primeira sequência do longa, é possível perceber que o trabalho de Gosling poderia ter sido mais interessante. Outro exemplo é a principal antagonista, que também é replicante: a Luv de Sylvia Hoeks está imponente e assustadora mas, ainda assim, cativante.

A performance de Jared Leto é interessante (beirando ao caricato), mas não chega a ser marcante. Além de Sylvia Hoeks, outros destaques na atuação são Ana de Armas, que interpreta o software Joi, e Robin Wright, que participa em poucas cenas, mas o suficiente para demonstrar a força de sua personagem. O filme ainda conta com a pequena participação de Harrison Ford, que ainda tem fôlego para fazer papéis em filmes de ação.

Cena do filme 'Blade Runner 2049', mostrando Robin Wright e Sylvia Hoeks

“Blade Runner 2049” parece mais um filme inspirado no universo do filme original, sem as complexidades e sem o mesmo impacto e inovação. Tecnicamente e visualmente competente, o longa deixa a desejar também na escolha de seu protagonista. Assim como aconteceu com o longa original, este não está indo bem nas bilheterias. Mas, diferente de 1982, o público já está bem acostumado a filmes de ficção científica.

NOTA: 8.5 / 10

Comentários

Deixe uma resposta