O que achei da série “Top of the Lake: China Girl”

Foto de cena da série 'Top of the Lake: China Girl', mostrando a detetive Robin Griffin andando pela delegacia

Bem desconhecida no Brasil, a série “Top of the Lake” é uma co-produção entre Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia e estreou na Europa em 2013, com uma temporada que se passava em torno da investigação sobre o desaparecimento de uma jovem grávida de 12 anos. Bem recebida pelos críticos, até que demorou para que uma nova temporada viesse à tona. A segunda temporada, “China Girl”, foi exibida entre Julho e Agosto deste ano no Reino Unido e este mês nos EUA.

Depois de tudo o que passou na Nova Zelândia, a detetive Robin Griffin (Elisabeth Moss) tenta voltar ao trabalho em Sydney. É lá onde também vive a sua filha Mary (Alice Englert), que ela entregou para adoção. Atualmente com 17 anos, Mary está namorando Alexander “Puss” (David Dencik), um homem de 41 anos que está associado a um bordel. Uma noite, funcionários do bordel retiram uma mala de lá e a jogam no mar. Dentro da mala, um corpo.

Cena de episódio da série 'Top of the Lake: China Girl', mostrando Robin e Miranda

“China Girl” foi roteirizada novamente pela dupla Jane Campion e Gerard Lee e, embora a história desta temporada flua de uma forma melhor que na primeira, os eventos que se sucedem durante a passagem de tempo soam um pouco forçados. As maravilhosas paisagens da Nova Zelândia, frequentes na temporada passada, mal aparecem aqui. O frio dá lugar ao calor de Sydney, com filmagens realizadas na famosa Bondi Beach.

Como a temporada anterior, “China Girl” faz uso de temas não-convencionais em sua história. Por exemplo, aqui temos relacionamento entre adolescentes e adultos, prostituição, tráfico de pessoas, barriga de aluguel e o reencontro de uma mãe com a filha adotada por outra família. E, claro, o roteiro se vale das reações e das atitudes dos personagens em relação a essas temáticas, o que rende ótimas sequências.

Cena de episódio da série 'Top of the Lake: China Girl', mostrando Puss ao lado de Mary

O trabalho de Elisabeth Moss é excelente e sua personagem tem ainda mais sequências dramáticas do que na temporada passada, o que pode levá-la a mais uma indicação (e quem sabe o prêmio) ao Emmy no ano que vem. Em um papel mais descontraído do que sua Brienne em “Game of Thrones”, Gwedoline Christie mostra versatilidade e uma veia dramática que não se costuma ver na série da HBO.

A presença de Nicole Kidman não é tão grande ao longo dos episódios, mas é impressionante como a atriz imprime uma personalidade única e forte para a personagem Julia. E a ótima performance de David Dencik como Puss torna o personagem bem marcante, mesmo que abominável.

Cena de episódio da série 'Top of the Lake: China Girl', mostrando Nicole Kidman e Ewen Leslie

“Top of the Lake: China Girl” tem melhor ritmo e personagens mais carismáticos do que em sua primeira temporada e, ao lado de “The Handmaid’s Tale”, é mais um ótimo trabalho do prodígio Elisabeth Moss. Como a exibição nos EUA só foi neste mês, a série só deve ser elegível para o Emmy no próximo ano. E possivelmente, deve conquistar indicações pelas performances de seu elenco.

NOTA: 9 / 10

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