O que achei do álbum “Rainbow”, de Kesha

Capa do álbum 'Rainbow', de Kesha

Os últimos anos não foram fáceis para Kesha. A cantora desenvolveu problemas psicológicos e distúrbios alimentares, os quais alega serem consequência de abusos e pressões por parte de Lukasz “Dr. Luke” Gottwald, que era o CEO da gravadora de Kesha até abril deste ano. A saída de Dr. Luke se deu ao desgaste de sua imagem, por conta de toda uma batalha judicial que foi travada entre ele e Kesha. A cantora saiu derrotada, mas segue amparada por seus fãs e vários artistas, como Kelly Clarkson, Taylor Swift e Adele.

Lançado na última sexta, “Rainbow” foi ganhando corpo durante esse momento difícil, o que fica bem evidente em várias das músicas do álbum. Mas, ao mesmo tempo, parece que a cantora está, aos poucos, superando essa fase negra e avistando um arco-íris ao fim da tempestade. O álbum é completamente diferente de seus predecessores e isso se deve, principalmente, a um maior controle criativo por parte da artista, que alegava não ter o mesmo em seus primeiros álbuns.

Kesha em foto promocional para o álbum 'Rainbow'

Os efeitos de auto-tune e o eletrônico dão lugar ao pop-rock e baladas acústicas, onde a cantora pode demonstrar toda uma potência vocal, que até então ela não tinha demonstrado em seus trabalhos. Isto pode ser constatado já no primeiro single do álbum, “Praying”, que mostra uma grande vulnerabilidade da artista e é um dos maiores destaques do álbum, sobretudo por ser autobiográfica — a música certamente foi escrita com Dr. Luke em mente.

Metade do álbum é composta por boas músicas de empoderamento e positividade, como “Bastards” e “Hymn”. A melhor representante delas é “Woman”, com uma vibe agitada, refrão contagiante e uma Kesha bastante animada. Além de ter uma letra poderosa, a faixa conta com a participação dos The Dap-Kings Horns, que trabalharam com ninguém menos que Amy Winehouse, em seu álbum “Back to Black” (2006). E, na faixa-título, Kesha reflete sobre o que passou mas afirma que encontrou o arco-íris e que tudo de ruim passa e que “agora ela enxerga a mágica que há dentro de si”.

Na outra metade, Kesha nos surpreende com canções de pegada country, como a excelente “Hunt You Down” e um cover de “Old Flames (Can’t Hold a Candle To You)” em um ótimo dueto com a cantora original da canção, Dolly Parton. “Spaceship” também é outro country que encerra o álbum de uma forma um tanto mística, com direito a um monólogo ao fim da canção. A baladinha simpática “Godzilla” já é uma queridinha de muitos fãs e “Boots” lembra bastante as músicas das fases anteriores da cantora (assim como “Boogie Feet”) e é um provável futuro single.

“Rainbow” possivelmente é o melhor trabalho de Kesha, de acordo com muitos críticos, e mostra que a artista consegue entregar um trabalho excelente sem a interferência de Dr. Luke. Não é só isso: a Billboard prevê que o álbum vai ficar no topo do ranking dos mais vendidos desta semana (ontem estava na primeira posição entre os álbuns mais vendidos na iTunes americana). Embora Kesha ainda esteja sob contrato com a gravadora de Dr. Luke, seu arco-íris está mais colorido do que nunca.

NOTA: 8.5 / 10

PS: Esta review foi realizada com base na versão digital do álbum. A versão física japonesa tem uma faixa a mais, chamada “Emotional”.


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