O que achei do filme “O Círculo”

Pôster do filme 'O Círculo'

Na onda de filmes distópicos baseados em livros, “O Círculo” (The Circle) surgiu ambicioso. Mas, mesmo com nomes como Emma Watson e Tom Hanks em seu elenco, o longa sofre por conta de um roteiro mal-elaborado. Isto talvez já fosse uma constatação antes mesmo do seu lançamento: o longa foi gravado em 2015 e passou por refilmagens em 2016. E, como resultado, a narrativa e o desenvolvimento dos personagens foram prejudicados.

Chefiada por Eamon Bailey (Tom Hanks), a empresa The Circle é uma gigante da tecnologia, famosa por seus produtos e serviços, utilizados por milhares de pessoas ao redor do mundo. Até então desempregada, a jovem Mae Holland (Emma Watson) é contratada e, aos poucos, vai galgando seu caminho até estar lado a lado com os poderosos membros da corporação. Mas será que ela pensa como eles?

Cena do filme 'O Círculo', mostrando Mae conversando por celular

“O Círculo” é baseado no livro homônimo escrito por Dave Eggers em 2013, mas foge bastante da história original do livro, especialmente em seu final. Embora o roteiro também tenha sido escrito pelo autor do livro (com James Ponsoldt), a salada de temas não ajuda: em um momento, temos Mae lidando com as pressões sociais impostas pela The Circle; em outro, a luta contra as verdadeiras intenções da empresa; em outro, temos uma fraca discussão sobre a invasão de privacidade. Confuso, não é?

Com isso, nenhum tema acaba sendo abordado com a profundidade necessária e, pior, tem-se a impressão de que se está assistindo a, pelo menos, 2 filmes diferentes. Por exemplo, a personagem Mae tem uma personalidade no início do filme e, na segunda metade, como mágica (fruto do péssimo desenvolvimento da personagem), ela já parece outra pessoa, sem que as motivações para tal tenham sido devidamente apresentadas.

Visualmente, o longa não deixa a desejar para nenhuma produção do gênero. Os cenários e ambientes são bem construídos e as conferências da The Circle remetem aos eventos de empresas de tecnologia como a Apple, onde os diretores / presidentes da empresa entretêm um público ávido por novidades do segmento. Nisto, a produção não economizou: contrataram até o artista Beck para dar uma palhinha em uma dessas conferências.

Cena do filme 'O Círculo', mostrando Bailey, Mae e Tom conversando

Claro que Emma Watson não é nenhuma Meryl Streep, mas a performance da atriz fica abaixo do esperado, justamente por conta da confusa personagem. Por exemplo, num primeiro momento, a personagem se mostra desconfortável com a pressão que sofre por parte da corporação e depois já está feliz por participar ativamente de um grupo decisório da empresa. O filme ainda conta com os subaproveitados Tom Hanks e John Boyega.

Mesmo com a presença de grandes nomes do cinema, o longa sofreu nas bilheterias e foi massacrado pela crítica. Embora tenha a pretensão de ser chamada de distopia, a maioria dos eventos da história de “O Círculo” já é corriqueira. Talvez, se a história tivesse se concentrado em um dos temas, com um bom desenvolvimento, o destino do longa fosse diferente.

NOTA: 6 / 10

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