O que achei do filme “Death Note“ (2017)

Pôster do longa 'Death Note' (2017)

O manga de “Death Note” (デスノート) foi criado por Tsugumi Ohba e estreou nas páginas da revista japonesa Shonen Jump e logo fez um enorme sucesso. De lá pra cá, vieram o anime, jogos de videogame, uma série e vários filmes, todos produzidos por japoneses. Hollywood não demorou a notar o barulho da franquia e logo surgiram as primeiras notícias sobre adaptações ocidentais do manga. Por fim, a Netflix lançou mundialmente na última semana a sua versão que, infelizmente, sofre do mesmo mal que várias outras adaptações de obras japonesas.

Em Seattle, o estudante colegial Light Turner (Nat Wolff) encontra um caderno com a inscrição “Death Note”. Ryuk, o Deus da Morte, explica-o que o caderno causa a morte daquele cujo nome for escrito, desde que o escritor tenha o rosto e o nome da vítima em mente. Light revela o caderno para Mia Sutter (Margaret Qualley) e, juntos, decidem fazer justiça utilizando o caderno – a justiça deles. Não demora até eles chamarem a atenção da polícia.

Cena do filme 'Death Note' (2017), mostrando L e Light cara a cara

Dirigido por Adam Wingard, que será o diretor de “Godzilla vs. Kong” (previsto para 2020), esta versão de “Death Note” certamente decepcionará os fãs da obra original, por conta de suas grandes mudanças. Além de passar longe do suspense e do forte jogo psicológico do manga / anime, a personalidade dos personagens está bem diferente. Curiosidade: um dos produtores do filme é Masi Oka, que interpretou o personagem Hiro Nakamura na série “Heroes” (2006) e, aqui, também faz uma participação rápida.

A adaptação lembra um filme trash, principalmente por conta de seus (d)efeitos visuais. A computação gráfica por trás de Ryuk não chega a ser pobre, mas não impressiona (como já foi antecipado pelos trailers há meses atrás). Mas há um bom uso do motion capture para as expressões do Deus da Morte, graças à performance de Willem Dafoe, que também dá voz ao personagem.

Cena do filme 'Death Note' (2017), mostrando Light e Mia conversando

Com exceção de Dafoe, as atuações aqui são bastante medianas. Nat Wolff e Margaret Qualley até que tem alguma química em cena, mas somente Wolff tem chance de explorar mais a sua personagem. Já Lakeith Stanfield não se sai muito bem com os trejeitos de L (claramente inspirado no anime / manga), que são completamente abandonados no último ato. A personagem não tem nada de fria, como no original, e só passa a impressão de ser pertubado ao invés de inteligente demais.

Em vez de assistir à versão Netflix de “Death Note”, é melhor conferir o manga / anime original. É uma adaptação ruim, que se junta à lista de tentativas fracassadas de Hollywood de ocidentalizar uma história, sem necessidade. Com uma recepção ruim tanto da crítica como do público, é difícil dizer se o longa vai ter uma sequência, como a Netflix esperava, originalmente.

NOTA: 5 / 10