O que achei de “The Handmaid’s Tale” – Temporada 1

Foto promocional da série 'The Handmaids Tale, mostrando Offred sentada à janela, observando os raios de sol que entram em seu quarto escuro'

Graças a uma concorrência acirrada, os sites de streaming buscam cada vez mais produzir conteúdo original e de qualidade para atrair novos clientes: seja consumidores do serviço, seja emissoras de várias partes do mundo. Nessa corrente, o serviço Hulu (não disponível para o Brasil) produziu a primeira temporada série “The Handmaid’s Tale”, que já é um grande sucesso de crítica e fortíssima candidata a muitos prêmios. O sucesso da série já se expandiu, ao passo que já está sendo exibida em várias emissoras de TV pelo mundo.

Num futuro não muito distante, os EUA são governados por um regime fundamentalista cristão, a Gilead, em meio a uma guerra civil. A sociedade é reestruturada sob um sistema hierárquico, onde as mulheres já não têm praticamente nenhum direito. A gigantesca taxa de infertilidade entre as mulheres faz com que o governo forme um grupo com as poucas mulheres férteis que restam, de maneira forçada.

Foto da série 'The Handmaids Tale', mostrando Offred

Cada uma das aias (handmaids) é atribuída a uma família da elite e deverá se submeter à cerimônia de acasalamento com o chefe da família, para prover filhos à matriarca infértil. Uma dessas aias é Offred (Elisabeth Moss), que está na casa dos Waterford. Ao mesmo tempo em que está assustada com tudo o que acontece e desesperançosa, Offred tenta descobrir alguma forma de sobreviver em meio a essa realidade absurda.

“The Handmaid’s Tale” é baseada no aclamado livro homônimo da canadense Margaret Atwood, lançado em 1985. Esta não é a única adaptação da obra, que já foi transformada em filme e até mesmo ópera. Aqui, há algumas diferenças em relação à obra literária, mas todas passam pelo crivo da autora, que é produtora da série, juntamente com Elizabeth Moss. Outro detalhe importante sobre a produção é que 4 dos 5 diretores desta temporada são mulheres, assim como a maioria dos roteiristas, o que ajuda a traduzir os eventos com uma percepção feminina, como a protagonista.

É impressionante como a temática da série é terrivelmente atual. Em um mundo onde a tolerância está diminuindo e os arcaicos preceitos religiosos são interpretados à risca, “The Handmaid’s Tale” nos dá uma visão assustadora do que o mundo pode acabar se tornando. Ainda, expõe claramente as hipocrisias dos moralistas, que se julgam acima das demais pessoas. Cada episódio é um exercício de reflexão.

Foto de cena da série 'The Handmaid's Tale', mostrando o grupo de aias reunido

A história é contada com o apoio de flashbacks, que remontam os momentos que precedem a clausura de Offred. A indispensável narração da protagonista contextualiza e, ao mesmo tempo, expõe todos os seus sentimentos. A fotografia da série também é singular e a ausência de vivacidade nas cores expõe toda a tristeza e falta de esperança das aias.

Embora a ambientação remeta ao passado, é possível notar elementos modernos ao longo dos episódios: a atenção aos detalhes aqui é grande. A trilha sonora contribui bastante para o clima dos episódios, permeados principalmente por músicas instrumentais mais sombrias, mas não deixa de incluir canções mais populares como “Don’t You (Forget About Me)”, do Simple Minds, e “Feeling Good”, de Nina Simone, em uma maravilhosa sequência no último episódio.

Cena de episódio de 'The Handmaids Tale', mostrando Alexis Bledel

As atuações em “The Handmaid’s Tale” são excelentes. Praticamente todos estão muito bem em seus papéis, principalmente Elisabeth Moss. A talentosa atriz não precisa falar nem gesticular para expressar toda a dor e tristeza de sua personagem e domina todas as cenas em que está presente. Outros destaques são Yvonne Strahovski, que interpreta a matriarca da família, e Ann Dowd, que interpreta a Tia Lydia. A série ainda conta com a participação de Alexis Bledel (Gilmore Girls) e Samira Wiley (Orange is the New Black).

A segunda temporada da série foi confirmada antes mesmo do final da primeira e já é aguardada com bastante entusiasmo e empolgação por parte dos fãs. A série deve vencer vários prêmios nas cerimônias que se aproximam e conquistar ainda mais fãs. Mais do que entretenimento, “The Handmaid’s Tale” cumpre um papel social importante e é uma série extremamente relevante para os dias atuais. A série vem inspirando protestos nos EUA e deve influenciar ainda mais a sociedade, felizmente.

Cena de episódio da série 'The Handmaids Tale', mostrando Offred sendo agarrada por Marthas

NOTA: 10 / 10

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