O que achei do álbum “Witness”, de Katy Perry

Capa do álbum 'Witness', de Katy Perry

Em fevereiro, quando lançou o single “Chained to the Rhythm”, Katy Perry já deu indícios de que seu novo trabalho iria ser diferente dos anteriores. De fato, “Witness”, o novo álbum da artista, tem uma sonoridade mais ousada, sem deixar de ser pop. O álbum conta com a produção de grandes nomes do pop atual, como Max Martin e Shellback e colaborações de Nicki Minaj e Sia. Para promover seu lançamento, além dos singles já divulgados, Katy Perry realizou uma transmissão ao vivo, como uma espécie de reality show, durante todo este fim de semana, no YouTube.

As mudanças nesta nova fase da cantora acontecem já no visual. Adepta de cabelos e perucas coloridas, longas ou nos ombros, Katy cortou e clareou os cabelos. Há quem diga que isso foi consequência de tantas transformações, mas a cantora afirmou que adotou o novo visual para se distanciar um pouco da imagem anterior, com a qual ela já não se identifica mais. Isso quer dizer que também não se identifica mais com alguns de seus sucessos?

Foto promocional de Katy Perry na fase 'Witness'

O álbum abre com a faixa-título, que funciona como um convite para fazer parte da nova fase de Katy: “Eu procuro por alguém que fale a minha língua / Você será a minha testemunha?”. Os sussurros dos primeiros versos da cantora logo dão margem a um forte refrão. É um bom pop eletrônico, como praticamente todo este álbum, e não seria estranho se a música abrisse todos os shows da nova turnê de Katy.

Katy aparentemente aproveitou este álbum para experimentar novos ritmos e isto fica evidente em faixas como “Power”, “Mind Maze” e “Tsunami”. Enquanto as duas últimas podem não agradar a todos, por conta da vibe e do uso proposital de autotune, a primeira é uma boa surpresa. Com uma letra que fala sobre ser forte e abandonar a passividade em um relacionamento, a música é regada a batidas fortes, com solos de bateria.

Foto do ensaio para o álbum 'Witness', mostrando Katy segurando um olho

Dos singles lançados desde seu último álbum “Prism” (2013), somente “Rise” (2016) não está na lista desta versão do álbum. “Swish Swish” é o melhor deles: relembra muito bem o dance dos anos 90 e a parceria com a Nicki Minaj funciona muito bem. Não se pode dizer o mesmo da parceria com Migos, que poderia ser eliminada sem falta de “Bon Appétit”. A música poderia evoluir mais rápido para o ritmo de seu final, também.

Embora a balada “Miss You More” tenha uma frase impactante em seu refrão (“Eu sinto mais a sua falta do que senti amor por você”), é apenas isso, literalmente. Apesar de desperdiçar essa chance, “Into Me You See”, a faixa que encerra o álbum, transmite melhor a vulnerabilidade da cantora, que declarou que esta é a canção mais pessoal do trabalho.

Foto promocional de Katy Perry com Migos

Como nos seus últimos trabalhos, em “Witness” Katy também traz uma música com o objetivo de incentivar e elevar o espírito de seus fãs. “Pendulum” é muito bem produzida, com direito a um coral gospel, “pregando” que as pessoas não devem mudar a sua essência e que as coisas, boas e ruins, vão e voltam. Não seria difícil enxergar esta música com uma grande performance em sua turnê, ou até mesmo como single.

O álbum “Witness” não chega a ser um acerto, mas é uma tentativa válida de sair do óbvio pop chiclete que persegue Katy Perry desde o início de sua carreira. No que diz respeito a emplacar hits, o álbum não tem o mesmo potencial de um “Teenage Dream” (2010), e deve se popularizar mais por conta de suas pequenas polêmicas. As melhores músicas do álbum, na minha opinião, são “Swish Swish”, “Pendulum” e “Chained to the Rhythm”.

NOTA: 7.5 / 10

PS: Este review foi feito com base na versão deluxe digital do álbum. Tanto a versão exclusiva para venda nas lojas Target como as versões físicas japonesas possuem 2 faixas extras: “Dance With the Devil” e “Act My Age”. Uma das versões japonesas ainda acompanha um DVD com os bastidores do vídeo “Chained to the Rhythm”.