O que achei da série “Feud: Bette and Joan”

Com 8 episódios, chegou ao fim a primeira temporada da série “Feud”, criada por Ryan Murphy – o rei das antologias – cujo propósito é apresentar as difíceis relações entre personalidades. Intitulada “Bette and Joan”, as personalidades desta temporada eram Bette Davis e Joan Crawford, famosas por protagonizarem o sucesso “O Que Terá Acontecido à Baby Jane?” (What Ever Happened to Baby Jane?, 1962) e, também, famosas por toda a sua história de rivalidade nos bastidores.

A temporada mostra as duas em um momento da carreira em que os bons papeis estavam sendo feitos por atrizes mais jovens. Por conta disso, a própria Joan Crawford (Jessica Lange) decide ir atrás de uma boa história para adaptar para o cinema. Ao apresentar a história de duas irmãs atrizes em decadência para o diretor Robert Aldrich (Alfred Molina), Joan sugere que a outra personagem seja interpretada por Bette Davis (Susan Sarandon). A relação das duas tinha tudo para ser boa, mas as fofocas, os egos inflados e as manipulações dos estúdios não permitiram.

Cena da série 'Feud: Bette and Joan', mostrando as atrizes nos bastidores do Oscar

Com a série, Ryan Murphy quis apresentar as atrizes às novas gerações e, ao mesmo tempo, prestar uma homenagem póstuma. Há bastante sensibilidade na forma como a história é contada, sob uma perspectiva bastante feminista, inclusive. Muitas passagens da história denotam o machismo e o assédio pelo qual as atrizes passaram. Pra completar, Ryan dividiu a direção com outras mulheres, como Helen Mirren.

Embora comece nos anos 60, a história de “Bette and Joan” ainda é bastante atual. É interessante perceber que a situação vivida pelas atrizes ainda é presente nesse segmento. As mulheres mais velhas vão perdendo espaço para as atrizes mais jovens, “carne nova”. A forma como os donos de estúdios são retratados também traduz a grande interferência dos empresários nas produções, desde sempre visando o lucro e o sucesso, sem medir as consequências.

Cena da série 'Feud: Bette and Joan', mostrando Bette conversando com Robert nos bastidores do filme

Se a caracterização de Joan Crawford não ficou muito fidedigna, a interpretação dinâmica de Jessica Lange transmitiu as várias personalidades da personagem. É especialmente tocante a fase de seu declínio, quando Joan começa a fazer filmes trash e escrever livros, em busca de alguma notoriedade.

Além de ter uma melhor caracterização, Susan Sarandon incorporou melhor a sua personagem, criando até alguma identidade própria. Chega a ser irônico, dado que Bette Davis também se saiu melhor quando contracenou com Joan. A atriz também brilhou em várias sequências, como no episódio sobre o Oscar e quando sua personagem conta para Robert os “conselhos” que recebeu quando estava iniciando sua carreira.

Foto promocional da série 'Feud: Bette and Joan', mostrando Jackie Hoffman como Mamacita

Além das protagonistas, vale destacar as atuações de Judy Davis, como a fofoqueira Hedda Hopper; Alfred Molina, como o diretor Robert Aldrich (o quanto este personagem precisa aturar não é brincadeira); Stanley Tucci, como o abominável Jack Warner e, finalmente, Jackie Hoffman como a fiel escudeira de Joan, Mamacita. A atriz rouba a cena com a sua cara sisuda e suas falas certeiras.

Mesmo não sendo 100% preciso, “Feud: Bette and Joan” possibilita uma maior compreensão da relação conflituosa das duas atrizes, sem tomar partido de nenhuma das partes. A temporada fez um grande sucesso e deve receber indicações ao Emmy / Golden Globes. E a 2a. temporada já está garantida para 2018, com o subtítulo “Charles and Diana”, sobre a relação entre o príncipe e a princesa de Gales.

NOTA: 9 / 10

Foto promocional da série 'Feud: Bette and Joan', mostrando Baby Jane segurando Blanche em sua cadeira de rodas

Comentários

Deixe uma resposta