O que achei de “Cara Gente Branca” – Temporada 1

Pôster da série 'Cara Gente Branca'

Por não estar em busca de anunciantes e nem de audiências semanalmente, a Netflix se permite ousar nos temas das suas séries originais. “Cara Gente Branca” (Dear White People) é uma série que dificilmente seria exibida em alguma emissora americana (talvez a BET), por trazer à tona, com bastante veemência, a polarização entre negros e brancos nos EUA.

A série se passa nos dias atuais, na fictícia Universidade de Winchester. A estudante negra Sam (Logan Browning) tem um programa de rádio chamado “Cara Gente Branca”, no qual desabafa sobre todas as atitudes racistas que vem observando no campus. Se isso por si só já seria suficiente para acirrar os ânimos entre os estudantes, uma festa blackface acirra ainda mais os ânimos de todos.

Cena da série 'Cara Gente Branca', mostrando Sam em meio a alunos brancos

Baseada no filme homônimo de 2014, a primeira temporada de “Cara Gente Branca” foi lançada na Netflix no final de abril deste ano, contendo 10 episódios. A série é um drama regado a boas doses de humor sarcástico, carregado de referências, que talvez não possam ser totalmente compreendidas pelo grande público. Neste aspecto, um dos bons momentos é quando os personagens começam a criticar os estereótipos do cinema, inclusive rompendo a 4a. parede.

Apesar de se ater, em sua maior parte, ao conflito racial na universidade, a série ainda mostra histórias paralelas, que fazem com que o espectador acabe perdendo o foco, como a homossexualidade e a ascensão social. Isso, somado ao fato de que cada episódio está centrado em um personagem, faz com que o ritmo da história seja um pouco lento. Ainda assim, os personagens são explorados de maneira satisfatória, com o apoio de flashbacks narrados.

Cena da série 'Cara Gente Branca', mostrando os alunos da Armstrong/Parker assistindo TV

Sem atuações de grande destaque, o maior mérito de “Cara Gente Branca” é provocar discussões sobre a discriminação racial, que ainda é extremamente presente na sociedade. É interessante notar que há atitudes questionáveis até mesmo por parte dos que se sentem oprimidos. Um dos momentos mais memoráveis acerca desta questão ocorre no quinto episódio, que é dirigido por Barry Jenkins, de “Moonlight: Sob a Luz do Luar” (Moonlight, 2016).

A Netflix merece aplausos por abrir as portas para produções com os mais diversos temas, inclusive os mais arriscados. “Cara Gente Branca” é uma série que expõe o racismo de uma forma objetiva e incisiva, o que soa como uma ofensa a alguns espectadores. Não é à toa que a série vem sendo atacada em fóruns e redes sociais, por alienados que acham que os eventos mostrados são irreais. E é exatamente por isso que a série é importante.

NOTA: 8.5 / 10