O que achei do filme “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell”

Pôster do filme 'A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell'

Num futuro pós-2029, onde é bastante comum o aperfeiçoamento tecnológico de partes do corpo humano, a Major Mira Killian (Scarlett Johansson) é considerada o primeiro sucesso de uma experiência que consiste em transplantar um cérebro, a alma de uma pessoa (Ghost), para um corpo artificial (Shell) construído pela empresa Hanka Robotics. Mira passa a trabalhar na polícia, na Seção 9, um departamento anti-terrorista, onde investiga um crime cibernético, que envolve o assassinato de executivos da Hanka. Mas, durante esse processo, Mira passa a lembrar de seu passado como humana, reflexo de falhas no procedimento ao qual foi submetida.

“Ghost in the Shell” é o nome de um mangá criado por Shirow Masamune em 1989, que deu origem a um longa animado de mesmo nome, em 1995, que ficou conhecido no Brasil como “O Fantasma do Futuro”. O longa fez um enorme sucesso no Japão na ocasião e é citado como influência de diversos cineastas, como as irmãs Wachowski. Era natural que o longa despertasse o desejo por parte de Hollywood, que produziu a sua própria versão: “A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell” (Ghost in the Shell). O filme estreou nos cinemas no fim do mês passado, mas não tem sido bem recebido, nem pelos fãs do mangá / anime.

Cena do filme 'A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell', mostrando Major Mira Killian em ação

Um dos fatores que causou mais polêmica, mesmo antes do lançamento, foi a escalação de vários atores ocidentais em uma história conhecidamente nipônica, dentre eles Scarlett Johansson — o whitewashing. Os roteiristas tentaram resolver esta situação com a história da transferência de almas para corpos artificiais (que é nada menos do que o mote básico da trama), mas os fãs não engoliram isso muito bem. Some-se a isso o fato de ter o ator Takeshi Kitano falando em japonês durante o filme todo — o longa ainda se passa no Japão.

Embora tenha o mesmo nome, este filme tem grandes diferenças em relação ao longa animado. Parece até que decidiram contar uma nova história, usando as referências e até mesmo as mesmas sequências do anime (várias foram replicadas nesta adaptação). Esta nova história foca principalmente na protagonista e em seu drama ao relembrar pontos de seu passado como humana (coisa que não existe no original, diga-se de passagem). Mesmo assim, o filme vacila ao mostrar Mira tentando pensar sobre questões existenciais sem que haja uma contextualização mais adequada sobre seu passado, cabendo ao espectador simplesmente aceitar o que está acontecendo.

De fato, o filme parece ter sido criado para fazer com o espectador apenas aprecie o espetáculo visual, regado a muitos efeitos computadorizados, e as frenéticas cenas de ação, pois são os maiores destaques do filme. A caracterização dos personagens também está excelente, além de ser bastante fiel ao original. Estes devem ser (os únicos) pontos positivos que os fãs do original vão encontrar no longa. O 3D não faz tanta diferença aqui.

Cena do filme 'A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell', mostrando Mira analisando uma evidência

Scarlett Johansson não faz o seu melhor trabalho aqui. Sua postura chega a incomodar, com o corpo curvado e os braços sem movimento quando caminha. É impossível se conectar com a protagonista e seu dilema, pois a atriz não passa emoção alguma — e isso é um problema, pois   a androide interpretada por Alicia Vikander dominou suas cenas em “Ex Machina: Instinto Artificial” (Ex Machina, 2015). A atriz só demonstra maior talento nas sequências de ação, talvez por sua experiência nas franquias da Marvel.

Infelizmente, “A Vigilante do Amanhã: Ghost In the Shell” já entrou para a lista de adaptações hollywoodianas mal-sucedidas. O longa está indo muito mal nas bilheterias americanas e ficou atrás de “O Poderoso Chefinho” (The Boss Baby) aqui no Brasil também. Provavelmente, consequência de um roteiro criado para tentar justificar a escalação de Scarlett Johansson, mas que acabou não cumprindo o seu dever.

NOTA: 7 / 10

Comentários

Deixe uma resposta