O que achei de “Legion” – Temporada 1

Pôster da série 'Legion'

Foi ao ar nos EUA e no Brasil o último episódio da temporada da série “Legion”, parceria entre a Marvel e a Fox. Embora seja ambientada no mesmo universo que a franquia “X-Men”, esta série é surpreendentemente diferente de tudo o que já se viu. Logo em seu primeiro episódio, já foi possível perceber que a estética e a narrativa não seguiriam os moldes tradicionais das séries de super-herói, tampouco dos blockbusters do cinema. O resultado foi uma produção fabulosa, mas que exige maior atenção e dedicação de quem assiste, o que pode não agradar aos fãs mais tradicionais.

Nesta primeira temporada, somos apresentados a David Haller (Dan Stevens), um jovem internado em uma clínica para doentes mentais por apresentar comportamentos esquizofrênicos e autodestrutivos. Lá, ele convive com outros pacientes, como Lenny (Aubrey Plaza), sua grande amiga. Quando Sydney Barrett (Rachel Keller) ingressa na clínica, David logo se vê atraído por ela e os dois passam a se relacionar. Mas, na verdade, Sydney está lá por outro motivo.

Foto promocional da série 'Legion', mostrando David Haller

David é um mutante e Sydney está na clínica para resgatá-lo da clínica, onde vem sendo mantido pelo governo americano, que está de olho em seus poderes. Ela faz parte de um acampamento para mutantes, chamado Summerland, dirigido por Melanie Bird (Jean Smart). Não bastasse terem que enfrentar o governo americano, David tem uma batalha interna muito grande para vencer.

Criada por Noah Hawley, que também esteve por trás da série “Fargo” (2014), “Legion” tem um desenvolvimento bastante incomum para séries de super-herói, mas tem êxito em transmitir a atmosfera paranoica em que vive o protagonista. Aqui, os eventos são mostrados pela perspectiva de David, ou seja, nem tudo é o que parece ser, como em “Mr. Robot”. Por exemplo, não é possível apreender em que época a série se passa, pois, ao mesmo tempo em que os figurinos e os cenários lembram os anos 70, há vários elementos modernos em cena. É como se tudo fosse a versão que David quer dar para os fatos, o que não é exatamente confiável, e pode surpreender mais adiante.

Cena de episódio da série 'Legion', mostrando Melanie e Cary

Há vários momentos que se passam fora da realidade, muitos deles no chamado “Plano Astral”, paralisando a história principal para introduzir elementos novos, como o personagem Oliver Bird (Jemaine Clement). Isto pode ser um problema para os espectadores que gostam de objetividade. Nesta primeira temporada, não há uma conexão direta com a franquia “X-Men” e, com exceção de um pequeno detalhe em uma visão de David, não é feita nenhuma menção ao Dr. Xavier, o pai de David nos quadrinhos. Embora o criador da série tenha dito que não pretende fazer ligações com os filmes, é esperado algo do gênero nas temporadas seguintes.

Os efeitos visuais são, em sua maioria, muito bons, com destaque para a cena na cozinha do primeiro episódio. Também capricharam na criação dos pesadelos de David: a versão asquerosa do monstro na mente de David é realmente perturbadora. Mas a liberdade artística na série realmente chama a atenção, principalmente na metade final da temporada. Um dos grandes momentos da série (senão o melhor) ocorre no episódio 06, quando Aubrey Plaza dá um show na sequência em que sua personagem está “passeando” pelas diversas lembranças da mente de David, ao som de um remix de “Feeling Good”, de Nina Simone. É um espetáculo bastante atraente em todos os aspectos, técnicos e artísticos.

Aproveitando, a performance de Aubrey Plaza por si só já é suficiente para tornar um episódio de “Legion” fantástico. A atriz tem uma personagem bastante complexa, que cresce a cada episódio, graças à sua excelente interpretação, o que deve render algum prêmio (Emmy?) à ela. Não fosse por ela, Dan Stevens dominaria os elogios. O ator transmite toda a dor e confusão que o protagonista sente, além de emanar carisma e ter mais empatia do que Rachel Keller, cuja personagem completa o par romântico. Jemaine Clement participa de alguns episódios apenas, mas sua presença é marcante.

A primeira temporada de “Legion” ainda merece menção pela diversidade do elenco e de seus personagens. Pode-se dizer que a série inovou positivamente a arte de se contar histórias de super-heróis. Muito bem recebida pela crítica, “Legion” já foi renovada para uma segunda temporada, que deve explorar mais ainda os poderes e o passado de David. Será que vai haver uma conexão maior com a franquia dos mutantes? Atenção: o último episódio da série possui cenas extras após os créditos.

NOTA: 9 / 10

Foto promocional da série 'Legion', mostrando David e Syd

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