O que achei da série “Big Little Lies”

Pôster da série 'Big Little Lies'

Jane (Shailene Woodley) é uma mãe solteira recém-chegada em Monterey. No primeiro dia de aula de seu filho, ela conhece Madeline (Reese Witherspoon) e Celeste (Nicole Kidman), cujos filhos também estudam na mesma escola. Com o tempo, elas começam a ficar cada vez mais próximas e confidentes. O apoio e o companheirismo delas será necessário para que possam enfrentar todas as adversidades em suas vidas, incluindo um assassinato.

Baseada no livro homônimo escrito por Liane Moriarty, publicado em 2014, “Big Little Lies” é uma surpresa bastante agradável da HBO. A série foi produzida por Nicole Kidman e Reese Witherspoon, que desistiram de papeis em filmes para poder se dedicar ao trabalho. Reese, inclusive, declarou ter se envolvido pessoalmente no projeto pelas personagens: mulheres, e, em segundo lugar, fortes e bastante críveis. Todos os episódios foram dirigidos por Jean-Marc Vallée, que também dirigiu “Clube de Compras Dallas” (Dallas Buyers Club, 2013).

Cena de episódio da série 'Big Little Lies', mostrando Madeline, Jane e Celeste com seus filhos

As personagens são muito bem desenvolvidas, assim como suas rotinas, seus conflitos e dramas pessoais. Mesmo personagens secundários são carismáticos, como a pequena Chloe, interpretada pela prodígio Darby Camp. A história é contada de uma forma não-linear, mostrando a polícia em busca dos depoimentos para elucidar o assassinato, enquanto remonta todos os acontecimentos desde a chegada de Jane à Monterey.

Mesmo contando com um bom tom de humor (um pouco ácido, algumas vezes), a série abre espaço para discussões importantes e bastante atuais, como a violência doméstica. O tema é retratado de uma forma bem realista e mostra toda a dificuldade que a vítima tem em enxergar o que está acontecendo com ela mesma. Há, entretanto, a criação da expectativa em relação a algumas subtramas que acabam não sendo desenvolvidas por completo.

Cena de episódio da série 'Big Little Lies', mostrando Jane usando um vestido azul, aos prantos, na praia

É interessante também a forma como os acontecimentos são mostrados. Às vezes, o espectador só percebe que alguma coisa aconteceu, mas não sabe exatamente o quê (algumas cenas de abuso, por exemplo). Só que, durante um momento de reflexão do personagem envolvido, as suas memórias vão surgindo, explicitando e contextualizando sobre o ocorrido. A trilha sonora também é interessante, o que complementa a personalidade de Chloe, uma alma velha no corpo de uma criança. A abertura, ao som de “Cold Little Heart”, de Michael Kiwanuka, é uma das mais singulares que já se viu.

O elenco estelar da série aproveita muito bem as suas melhores sequências e a sinergia entre as atrizes é tão grande que torna a série prazerosa de se assistir. As atuações das atrizes estão excelentes (Shailene Woodley ainda fica um pouco atrás, neste aspecto), mas o maior destaque da série é, sem dúvida, Nicole Kidman.

Cena de episódio da série 'Big Little Lies', mostrando Celeste e Perry

As sequências de Kidman com Alexander Skarsgård, que interpreta o marido de Celeste, destacam-se pela tensão imprimida pelos atores. Ela ainda demonstra grande expressividade em suas sequências na terapia, traduzindo perfeitamente toda a crise da personagem. A série ainda conta com a presença de Zoë Kravitz e Laura Dern, esta também em uma excelente performance.

“Big Little Lies” é uma série curta (7 episódios): o desenrolar da história é bastante objetivo e aguça a curiosidade do espectador. Com uma conclusão bem surpreendente, é uma das melhores séries do ano e deve ser bastante premiada nos eventos que virão. Embora toda a história do livro já tenha sido contada nesta primeira temporada, Reese Witherspoon declarou recentemente que gostaria de retornar para a série. O ponto é que a série termina de uma forma bastante conclusiva e não cabe continuação; pelo menos, não com as mesmas personagens.

NOTA: 9.5 / 10