O que achei do filme “A Bela e a Fera” (2017)

Imagem promocional de 'A Bela e a Fera' (2017)

De uns anos pra cá, a Disney resolveu investir na onda dos remakes, começando por “Alice no País das Maravilhas” (Alice in Wonderland, 2010), que mostrava uma releitura da história de Lewis Carroll. Com o sucesso do longa, foi dado sinal verde para vários outros remakes, entre eles, “A Bela e a Fera” (The Beauty and the Beast). A diferença deste longa em relação aos outros remakes da Disney é que esta adaptação segue praticamente o mesmo roteiro, mantendo até as mesmas músicas (sem deixar de incluir outras).

A jovem Bela (Emma Watson) e seu pai (Kevin Kline) moram em um pequeno vilarejo na França. Um dia, durante uma de suas idas à feira, o pai de Bela se perde e acaba em um castelo misterioso, que pertence a ninguém menos que o Fera (Dan Stevens), que o aprisiona. Em troca da liberdade dele, Bela passa a viver com o Fera em seu castelo. Lá, ela encontra vários objetos e utensílios encantados e descobre que um feitiço transformou todos aqueles que moravam no castelo, incluindo o Fera. Um feitiço que só será quebrado pelo amor.

Esta versão de “A Bela e a Fera” foi anunciada em 2014 sob a batuta de Bill Condon, que também dirigiu o longa musical “Dreamgirls – Em Busca de Um Sonho” (Dreamgirls, 2006) O roteiro é baseado na clássica animação homônima da Disney lançada em 1991, que, por sua vez, é baseada no conto de fadas reescrito por Jeanne-Marie Leprince de Beaumont. Não fossem algumas adições e mudanças, poderia-se afirmar que o musical é basicamente a transposição do desenho para atores reais (e computação gráfica), o que deve agradar em cheio aos fãs da animação.

Uma mudança que gerou alguma controvérsia foi em relação ao personagem LeFou, o capacho de Gaston. Na animação, LeFou é um personagem bem caricato e bem pateta e o diretor resolveu dar uma conotação diferente para o personagem na adaptação com atores reais. Aqui, a ótima interpretação de Josh Gad mantém o tom de comédia, mas fica bastante claro que LeFou está ao lado de Gaston por admiração e, também, por gostar dele (platonicamente). Não há nenhuma cena realmente desnecessária e a situação é tratada com bastante sutileza. É uma grande virada na história da Disney no cinema, principalmente em filmes de contos de fada, e não deixa de ser uma vitória para a representatividade, que está bem presente neste filme.

Foto promocional do personagem LeFou

O musical traz todas as canções que ficaram famosas com a animação, apesar de uma ou outra mudança nas letras (“Gaston”, por exemplo, não menciona mais os músculos do personagem e ainda faz menção ao analfabetismo de LeFou). Ainda há músicas inéditas, compostas por Alan Menken (da trilha do filme animado) e Tim Rice, como “Evermore” (“Nunca Mais” em português), na voz da Fera. A versão brasileira conta com a participação de cantores e atores de adaptações tupiniquins de musicais da Broadway, que tornam as músicas tão boas quanto no original, embora as letras não sejam 100% idênticas à dublagem da animação de 1991. A trilha sonora de fundo também ajuda a compor as cenas mais belas e as mais tensas.

Visualmente espetacular, esta versão de “A Bela e a Fera” tem um excelente trabalho de direção de arte e efeitos especiais. Os cenários e os figurinos refletem bem a França antiga, são grandiosos e ricos em detalhes. Os efeitos de computação gráfica são primorosos, a começar pela própria Fera. Ao contrário do que possa parecer, não houve captura de movimentos; o próprio Dan Stevens estava atuando (nas alturas, literalmente) e foram aplicados efeitos visuais sobre ele. Outra sequência que merece menção é quando os objetos cantam “Seja a Nossa Convidada” (Be Our Guest): é, literalmente, um show de computação gráfica. O 3D do filme é bem utilizado e faz diferença nas sequências mais frenéticas, como sempre.

Foto de cena do filme mostrando os objetos encantados do castelo

A Disney não poupou esforços para contratar atores e atrizes famosos para chamar a atenção para o filme. A começar por Emma Watson, que deixou de fazer “La La Land — Cantando Estações” (La La Land, 2016) para protagonizar o longa. Infelizmente, seus vícios de atuação continuam presentes e tornam sua personagem pouco carismática. Pelo menos canta bem. Dan Stevens só aparece, de fato, no início e no final do filme, mas é visível que o Fera incorpora os trejeitos típicos do ator, para quem o conhece desde a série “Downton Abbey” (2010).

Luke Evans está muito bem como Gaston; ele acerta o tom vilanesco, sem deixar de aparentar a estupidez e o narcisismo do personagem. Josh Gad, como já foi dito, faz com que o secundário LeFou ganhe maior relevância nesta versão e é responsável por vários momentos engraçados. O longa ainda conta com as performances de Ewan McGregor, Sir Ian McKellen, Stanley Tucci e Emma Thompson como os objetos encantados do castelo, e Kevin Kline como o pai de Bela.

“A Bela e a Fera” estreou nos cinemas mundialmente na semana passada e liderou as bilheterias em quase todos os países, além de bater alguns recordes — passou a estar entre os 10 filmes que mais renderam em um fim de semana de estreia, por exemplo. No Brasil, já é a melhor estreia do ano, com 1,9 milhão de espectadores neste fim de semana. Apesar de ser praticamente igual ao original, a grandiosidade desta versão enche os olhos dos espectadores, além de ter êxito ao evocar o sentimento de nostalgia de quem já viu a animação. E vale lembrar que as pequenas ousadias deste filme abrem ótimos precedentes para os próximos remakes que vêm por aí.

NOTA: 8.5 / 10

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