O que achei do filme “Logan”

Pôster do filme 'Logan'

Uma grande despedida da franquia original dos X-Men. É essa a sensação que fica depois de se assistir “Logan”, o nono e último (pelo menos, é o que dizem) filme da franquia mutante a contar com a participação de Hugh Jackman como Wolverine. A carga dramática aqui é mais elevada e isso também faz com que este possivelmente seja o filme mais maduro entre todos os filmes da Marvel (e olha que não são poucos). É o filme mais diferente dos demais, também, e isso abre um ótimo precedente para os filmes com super-heróis.

Em 2029, os mutantes estão quase extintos. Um abatido Logan / Wolverine (Hugh Jackman) trabalha como motorista de um carro de luxo para cuidar do Professor Xavier (Patrick Stewart), bastante debilitado por conta de seus 90 anos de idade. Embora se mantenha longe dos holofotes, ele é encontrado por Gabriela (Elizabeth Rodriguez), que pede sua ajuda para levar Laura (Dafne Keen) para um determinado local em segurança. Mesmo se negando a voltar à ativa, Logan é abordado por Donald Pierce (Boyd Holbrook), que tem um grande interesse na garota e está disposto a forçar o mutante a colaborar com sua busca.

Cena do filme 'Logan', mostrando Logan sendo interrogado por Pierce

“Logan” foi dirigido e roteirizado por James Mangold, o mesmo diretor do filme anterior, “Wolverine – Imortal” (The Wolverine, 2013). Mangold resolveu ousar e fugir de alguns dos esteréotipos dos demais filmes da Marvel. Já nos primeiros minutos, é possível perceber que o clima é diferente, que existe uma seriedade maior. A explícita violência do longa também já dá as caras desde o início.

No começo, o roteiro é interessante, com direito a diversas sutilezas e referências a outros filmes dos mutantes. Há, inclusive, um grande exercício de metalinguagem, onde os personagens comentam sobre os quadrinhos dos X-Men. Entretanto, o último ato do longa deixa várias perguntas sem resposta (sobre Laura, principalmente) e algumas ações dos personagens acabam sendo bem questionáveis.

Cena do filme 'Logan', mostrando Logan e suas garras

Considerando que o filme se passa quase 10 anos à frente dos dias de hoje, pode-se dizer que há algumas falhas no design de produção. Por exemplo, embora o filme enfatize a todo instante o moderníssimo carro de Logan, há a utilização de carros lançados nos últimos anos. Os fones de ouvido de um certo personagem não são wireless, algo que hoje já é uma realidade para os donos de iPods e iPhones. Outra coisa que pode incomodar neste aspecto é o vídeo extremamente bem editado (com uma mixagem de som bem feita, até) que está no celular de Gabriela.

Hugh Jackman e Patrick Stewart fazem suas melhores performances como seus personagens. Graças aos bons diálogos, a relação dos dois mutantes toma um rumo mais terno e fraternal.  A atuação de Stewart é tão boa que merecia uma indicação a algum prêmio. Embora não fale nada durante mais da metade do filme, o semblante e as expressões de Dafne Keen também são eficazes, sem mencionar as lutas das quais participa. Boyd Holbrook faz o que pode com seu personagem, que em nada lembra o Murphy da série “Narcos”. O filme ainda conta com a presença do ator britânico Richard E. Grant.

Cena do filme 'Logan', mostrando Dafne Keen em ação no quarto do hotel

Em cartaz desde a semana passada, “Logan” vem sendo aplaudido pela crítica e também vem fazendo sucesso com o público: o longa liderou as bilheterias nos EUA e no Brasil em seu primeiro fim de semana de exibição. Embora seja “mais um filme de super-herói”, este tem um tratamento notoriamente superior e presta uma grande homenagem não só aos personagens, como também aos atores que os interpretam há 17 anos.

PS: Não há cenas pós-créditos, embora seja um filme da Marvel. Também não conta com a costumeira participação especial de Stan Lee.

NOTA: 9 / 10

Comentários

Deixe uma resposta