O que achei do filme “Moonlight: Sob a Luz do Luar”

Cena do filme 'Moonlight: Sob a Luz do Luar'

“Moonlight: Sob a Luz do Luar” (Moonlight, 2016) nos mostra 3 momentos da vida de Chiron (Alex Hibbert / Ashton Sanders / Trevante Rhodes), um jovem negro morador de uma comunidade pobre de Miami. Desde criança, ele vive em meio a grandes adversidades: a pobreza, a violência, as drogas e os problemas de sua mãe. Não bastasse isso, Chiron ainda está passando por uma enorme crise de identidade.

Chiron é um personagem bastante solitário e as poucas pessoas com quem está mais aberto a interagir não são exatamente boas referências (com exceção de Teresa, interpretada por Janelle Monáe). Além de sobreviver, mais do que tudo, o protagonista busca se encontrar como pessoa e entender quem ele é, compreendendo sua homossexualidade, principal motivo pelo qual sofre bullying. A triste realidade do personagem provoca uma grande sensação de empatia e deve ressoar principalmente com espectadores que vivem ou conhecem alguém que vive algo similar.

Cena do filme 'Moonlight: Sob a Luz do Luar', mostrando Juan e Chiron na praia

O longa tem roteiro de Barry Jenkins, baseado em uma peça que Tarell Alvin McCraney escreveu em 2003, na sua época de colégio – na verdade, de acordo com ele, não foi exatamente uma peça – chamada “In Moonlight Black Boys Look Blue”, algo como “À Luz do Luar, Meninos Negros Ficam Azuis”. A adaptação divide a história semi-biográfica em 3 capítulos, cada um mostrando uma fase da vida de Chiron.

O ritmo de cada capítulo é bem fluido e desperta a curiosidade de saber que rumo o protagonista vai tomar. Apesar de todas as mazelas com as quais Chiron é obrigado a lidar, o diretor toma o cuidado de não chocar o espectador com cenas desnecessárias. A descoberta da homossexualidade de Chiron também é explorada de uma forma delicada e eficiente. A humanidade dos personagens está bastante evidente e agrega um valor social enorme ao longa.

Cena do filme 'Moonlight: Sob a Luz do Luar', mostrando Chiron reflexivo

Chiron é vivido por três atores diferentes em cada capítulo, e todos conseguem imprimir suas marcas no personagem. Dentre eles, o maior destaque é o ator do primeiro capítulo, o jovem Alex Hibbert, que mal fala, mas possui um olhar bastante expressivo. Suas cenas ao lado do excelente Mahershala Ali estão entre as mais bonitas e singelas do filme. Já Naomie Harris interpreta muito bem a mãe de Chiron em todos os capítulos, com diferentes nuances, mas mantendo a essência básica da personagem. Em seu terceiro capítulo, o filme ainda conta com André Holland, de “American Horror Story: Roanoke”, como Kevin, o melhor amigo de Chiron.

Cena do filme 'Moonlight: Sob a Luz do Luar', mostrando Naomie Harris no 3o. capítulo

“Moonlight” estreia nesta quinta-feira nos cinemas brasileiros e foi eleito o Melhor Filme de Drama nos Golden Globes deste ano. O longa recebeu oito indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Ator Coadjuvante (Mahershala Ali) e Melhor Atriz Coadjuvante (Naomie Harris). Depois de um ano onde a cerimônia foi extremamente criticada pela falta de representatividade negra, “Moonlight” chega com mais força do que nunca e é o grande concorrente de “La La Land – Cantando Estações” (La La Land, 2016), considerado correto demais.

NOTA: 9.5 / 10

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