O que achei do filme “Manchester à Beira-Mar”

Cena do filme 'Manchester à Beira-Mar', mostrando Casey Affleck

“Manchester à Beira-Mar” (Manchester by the Sea, 2016) estreou nos cinemas brasileiros há 1 mês, depois de ter recebido diversos elogios da crítica, além de indicações e prêmios em cerimônias como o Critics’ Choice, os Golden Globes e, mais recentemente, o BAFTA. O roteiro do longa estava entre os preferidos de 2014 no site The Blacklist, que agrega roteiros de filmes não-realizados.

Lee Chandler (Casey Affleck) vive solitariamente em Boston, quando recebe a notícia de que seu irmão, Joe (Kyle Chandler), faleceu. Ele retorna à sua cidade natal para o velório do irmão e acaba tendo que cuidar não só das questões burocráticas envolvidas, mas também de Patrick (Lucas Hedges), o filho adolescente de Joe. Como se não bastasse isso, Lee Chandler ainda vai enfrentar o seu passado, que o fez partir para a vida que leva atualmente.

"Cena

Produzido por Matt Damon, que só não protagonizou o filme por conflitos com sua agenda, “Manchester” apresenta uma história “da vida real”, permitindo uma grande identificação por parte do espectador. O bom roteiro alterna entre momentos atuais e flashbacks, sem entregar toda a história de uma vez. A partir do momento em que apresenta o passado traumático de Lee, é possível compreender melhor o comportamento dos personagens e todas as suas motivações. Embora isso demore um pouco a acontecer, nenhum dos eventos que antecedem esse momento soa desnecessário.

O diretor e roteirista Kenneth Lonergan opta por dar um ritmo um tanto lento à trama, que combina com a grande sensação de apatia do protagonista. A curiosa trilha sonora do longa faz bastante uso de música clássica, especialmente nos momentos em que Lee parece estar distante da realidade. Mas há vários momentos tensos onde apenas a emoção dos atores é suficiente para causar o impacto necessário, como a triste conversa entre Lee e Randi (Michelle Williams).

Cena do filme 'Manchester à Beira-Mar', mostrando Michelle Williams e Casey Affleck

O longa conta com ótimas atuações, a começar pelo protagonista interpretado por Casey Affleck (irmão de Ben Affleck). Por conta de tudo o que o personagem viveu, Affleck faz uso de uma expressão soturna na maior parte do tempo, alternando entre o desconforto e o sofrimento. Lucas Hedges é carismático e sua interpretação mostra que, por trás de toda uma suposta indiferença, Patrick está muito sentido com a morte do pai. Michelle Williams tem poucas cenas, mas está especialmente brilhante na cena em que Lee e Randi se encontram e conversam sobre o que aconteceu. O longa ainda conta com a participação de Kyle Chandler e Matthew Broderick.

“Manchester à Beira-Mar” é simples, mas é um ótimo filme, embora o seu ritmo só venha melhorar depois da primeira hora. O longa recebeu seis indicações ao Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro, Melhor Ator (Affleck), Melhor Ator Coadjuvante (Hedges) e Melhor Atriz Coadjuvante (Williams). O longa já vem sendo premiado nas principais categorias de vários eventos e é um dos grandes favoritos na cerimônia da Academia.

NOTA: 8.5 / 10

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