O que achei do filme “Até o Último Homem”

Cena do filme 'Até o Último Homem', mostrando Doss em meio à Batalha de Okinawa

Durante a Segunda Guerra Mundial, é crescente a quantidade de jovens americanos se alistando no exército. Depois de ver seu irmão seguir o mesmo caminho, Desmond Doss (Andrew Garfield) também decide se alistar. Como suas crenças e convicções o impedem de usar armas, ele pretende atuar como médico no campo de batalha, para correr tanto risco de vida quanto seus companheiros. Ele vai precisar vencer o preconceito e a descrença que o exército sente a respeito de suas ideologias para poder demonstrar que tem coragem e força suficientes para ajudar o seu país.

Dirigido por Mel Gibson, “Até o Último Homem” (Hacksaw Ridge, 2016) é baseado na história real do médico de combate Desmond Doss, que se tornou o primeiro objetor de consciência a receber uma Medalha de Honra, pelos serviços prestados durante a Batalha de Okinawa, em 1945. Por sinal, é justamente nas sequências da batalha onde o filme se destaca mais. Os momentos que antecedem a chegada de Doss ao exército não têm o mesmo tratamento e são pouco memoráveis.

Cena do filme 'Até o Último Homem', mostrando Doss ao lado de sua esposa, em uma cela de prisão

As sequências de batalha são bem executadas e, aqui, a trilha sonora de tiros, explosões e gritos faz com que o espectador realmente se sinta parte da guerra. Há uma ou outra cena desnecessária (como o momento em que Doss se utiliza da escuridão para se esconder, como em um filme de ação sem compromisso com a realidade) e fica clara a intenção de Mel Gibson em chocar o público quando expõe o cenário de carnificina em que se transformou a batalha.

Com sua eterna juventude, Andrew Garfield realmente aparenta ser um jovem em meio à guerra, mas sua interpretação torna o personagem um tanto esquisito, como se tivesse inabilidades sociais, especialmente nas cenas que antecedem sua chegada ao exército. Durante a batalha, Garfield mostra que é um bom ator de ação e dá conta das sequências. Os demais atores mal têm chance de brilhar, já que o foco do longa é a vida de Doss, mas vale mencionar a presença de Vince Vaughn, muito bem em um papel dramático (uma raridade em sua carreira), e Hugo Weaving que interpreta muito bem o Doss pai.

Cena do filme 'Até o Último Homem', mostrando Doss cuidando de um companheiro ferido no combate

Chegando no Brasil com mais de 2 meses de atraso em relação à estreia americana, “Até o Último Homem” é um filme de guerra, que trabalha melhor suas sequências de ação em detrimento do desenvolvimento dos personagens. O longa recebeu 3 indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor (Mel Gibson) e Melhor Ator (Andrew Garfield), mas não deve levar nenhum dos prêmios. Não porque é um filme ruim, mas porque tem concorrentes bem mais fortes.

NOTA: 8 / 10

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