O que achei do filme “La La Land – Cantando Estações”

Foto promocional do filme 'La La Land - Cantando Estações

Grande sensação nas premiações de cinema mais recentes, como os Golden Globes, “La La Land – Cantando Estações” (La La Land, 2016) finalmente estreou no Brasil, na última semana. O longa presta uma grande homenagem aos musicais de meados do século passado, como “Cantando na Chuva” (Singin’ in the Rain, 1952), sem deixar de focar na realidade dos tempos atuais. “La La Land” tem tudo para agradar aos fãs do gênero.

A jovem aspirante atriz Mia (Emma Stone) e o pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) se encontram várias vezes na cidade de Los Angeles, por conta de coincidências, e isso os aproxima. Os dois têm algo em comum: ambos pretendem realizar seus sonhos e ambições artísticas na competitiva cidade. E eles vão tentar fazer seu relacionamento dar certo em meio a seus objetivos pessoais.

Cena do filme 'La La Land - Cantando Estações', mostrando Mia e Sebastian lado a lado no cinema

O roteiro e a direção do musical são de Damien Chazelle, que também esteve por trás do ótimo “Whiplash: Em Busca da Perfeição” (Whiplash, 2014). Por sinal, foi somente após sucesso do longa de 2014 que Chazelle conseguiu recursos para produzir “La La Land”, cujo roteiro foi escrito em 2010. Os dois filmes compartilham similaridades, como possuir protagonistas que aspiram ser grandes artistas e uma trilha sonora predominante de jazz.

A história de “La La Land” se passa ao longo de estações do ano, que demonstram não só as passagens de tempo, como também os estágios de evolução do relacionamento do casal protagonista. As personalidades dos protagonistas são bem delineadas ao longo do filme e, embora haja toda uma aura nostálgica, as situações retratadas são bastante atuais e verossímeis; a conclusão do filme, então, nem se fala.

Cena da abertura do filme 'La La Land: Cantando Estações, mostrando dançarinos pulando sobre os carros

As performances musicais são bastante elaboradas, com coreografias de Mandy Moore (do programa americano “So You Think You Can Dance”), com destaque para a já icônica sequência de abertura, ao som de “Another Day Of Sun”. Na maioria delas, Chazelle faz uso de planos-sequência (verdadeiros e simulados), o que exige bastante controle de todos os elementos em cena, algo que ele consegue fazer muito bem.

A direção de arte e a fotografia são muito bem elaborados. Os elementos em cena também acompanham as estações do ano, mas há uma predileção pelas cores vivas, como se este fosse um dos primeiros filmes coloridos — o que, provavelmente, é proposital. Por sinal, Chazelle optou por filmar “La La Land” analogicamente, buscando emular a tecnologia Cinemascope do cinema dos anos 50 e 60. Além disso, o filme é carregado de referências de musicais antigos.

Cena do filme 'La La Land - Cantando Estações', mostrando Emma Stone e suas colegas de apartamento dançando ao som de 'Someone in the Crowd'

A trilha sonora foi composta por Justin Hurwitz, também de “Whiplash” e as letras das canções foram escritas pela dupla Benj Pasek e Justin Paul. Até quem não aprecia jazz vai gostar da energia de músicas como “Another Day of Sun” e “Someone in the Crowd”. “City of Stars”, eleita a melhor música original nos Golden Globes, é profunda e bastante metafórica e deve conquistar indicação na mesma categoria do Oscar.

Emma Stone e Ryan Gosling se mostram bastante dedicados a suas interpretações. Por exemplo, Gosling fez aulas para aprender a tocar os números musicais no piano, o que faz muito bem, dispensando o uso de dublê. As performances de dança e voz dos dois são muito boas, com destaque para a canção “Audition (The Fools Who Dream)”, em que Emma canta ao vivo durante a cena. O filme ainda conta com a presença de John Legend e J. K. Simmons.

Cena do filme 'La La Land - Cantando Estações', mostrando Ryan Gosling ao piano

Obrigatório para os fãs de musicais, “La La Land” consegue ter sucesso ao contar uma boa história em meio a sequências musicais inspiradoras. Apesar de ser meticulosamente pensado em todos os seus aspectos, o que o torna menos orgânico, o longa merece toda a atenção que vem recebendo. É um candidato fortíssimo no Oscar que se aproxima, tendo em vista que bateu o recorde de prêmios em uma cerimônia dos Golden Globes, levando todos os prêmios a que foi indicado.

NOTA: 9.5 / 10

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