O que achei do filme “Rainha de Katwe”

Pôster do filme 'Rainha de Katwe'

Phiona (Madina Nalwanga) é uma jovem de 10 anos que vive em meio a condições deploráveis em Katwe, uma favela na cidade de Kampala, na Uganda. Sua vida começa a mudar quando conhece Robert Katende (David Oyelowo), que trabalha em um programa missionário como professor de xadrez. Apesar de não saber ler nem escrever, Phiona demonstra muito talento no esporte, o que chama a atenção de Robert. Phiona vai contar com o apoio de seu professor para se tornar uma das melhores jogadoras de xadrez do mundo.

Produzido pela Disney, “Rainha de Katwe” (Queen of Katwe, 2016) é baseado no livro homônimo escrito por Tim Crothers e lançado em 2012 nos EUA, que conta a história verídica de Phiona Mutesi. Apesar de ter 2 horas de duração, o ritmo do filme acaba sendo um tanto corrido, já que o roteiro tenta abarcar muitos aspectos e situações vividas por Phiona, Robert e suas famílias. Talvez por conta disso, alguns detalhes da vida de Phiona não são bem explicados e personagens desaparecem e reaparecem sem muita explicação.

Cena do filme 'Rainha de Katwe', mostrando Phiona jogando xadrez com um dos alunos no local onde eles têm aulas

O longa retrata a realidade de Katwe através de várias imagens e de situações de penúria, mas não chega a fazer sensacionalismo em cima disso. Pelo contrário, o foco é a superação das adversidades e isso faz com que o espectador torça para que os “pioneiros” (como Robert chama seus alunos) vivam dias melhores. A fotografia do filme é muito boa, mas a edição brusca compromete a fluidez do filme: há sequências em que os cortes acontecem em diálogos, onde um personagem está prestes a falar algo.

Há de se dar crédito para Madina Nalwanga, por interpretar uma protagonista logo em seu primeiro trabalho de atuação. A jovem atriz da Uganda ainda tem muito a amadurecer, mas tem carisma de sobra. David Oyelowo e Lupita Nyong’o (que interpreta a mãe de Phiona) fazem jus aos seus talentos. Em certos momentos, Oyelowo transmite a sensação de figura paterna que muitos de seus alunos não têm (como a própria Phiona). Nyong’o exala força em sua personagem, mas seu semblante mais duro começa a se desmanchar no decorrer do filme, dando vez a uma performance mais terna.

Cena do filme 'Rainha de Katwe', mostrando Phiona sendo cumprimentada por seu professor em um torneio

“Rainha de Katwe” não fez muito barulho por aqui (assim como nos EUA), quando estreou em circuito limitado, em Novembro do ano passado. Apesar de seus clichês e problemas técnicos, o longa conta a história de Phiona com dignidade e chega a ser inspirador. O filme não tem sido indicado em muitas premiações grandes, mas a protagonista recebeu indicação no Critics Choice Awards, como melhor artista jovem. Durante os créditos, os atores são confrontados com as pessoas da história real. E ainda há um vídeo musical, da música “#1 Spice”, de Young Cardamom & HAB.

NOTA: 8 / 10

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