O que achei do filme “Moana: Um Mar de Aventuras”

Imagem promocional do filme 'Moana: Um Mar de Aventuras'

Com a chegada das férias, é comum o lançamento de animações e filmes para a família. A Disney, sempre a postos, lançou nos cinemas brasileiros na primeira semana deste mês a animação “Moana: Um Mar de Aventuras” (Moana, 2016). Visualmente impressionante e acompanhado por uma trilha sonora altamente cativante, o longa nos apresenta muito bem a mais nova princesa da Disney.

Moana (Auli’i Cravalho / Anny Gabrielly) é a filha do chefe de uma tribo da Oceania, cujos ancestrais eram velejadores. Agora evitando os perigos do mar, a tribo não veleja mais e se fixa em uma ilha. Não demora muito até que problemas como a escassez de frutos e outros recursos façam Moana tentar buscar uma solução, que está além dos recifes do mar.

Cena do filme 'Moana: Um Mar de Aventuras', mostrando Moana olhando para Maui

Lançado em Novembro do ano passado nos EUA, “Moana” segue as novas diretrizes da Disney para suas protagonistas femininas. Moana não é nem um pouco assustada ou frágil, pelo contrário. A princesa tem personalidade forte e é bastante corajosa e ágil. Mas ela também sofre dos mesmos problemas que algumas outras princesas da Disney: seus pais querem tanto protegê-la que a privam de realizar seus desejos e aspirações.

Moana consegue a ajuda do semideus Maui para tentar cumprir sua missão, não sem antes passar por vários desafios. Isso torna a história um tanto linear e, consequentemente, previsível. Os personagens secundários são engraçados, embora nem todos consigam ser memoráveis. A história é bem desenvolvida e as músicas desempenham um papel importante neste quesito — daí a importância de uma boa versão em português, o que é o caso, felizmente.

Cena do filme 'Moana: Um Mar de Aventuras', mostrando Maui prestes a usar seu anzol místico

A cada ano, é impossível não notar a evolução visual nas animações da Disney. Aqui, além de um oceano altamente realista, os cabelos dos personagens (particularmente, de Moana) parecem de verdade. As sequências que mostram o fundo do mar (com destaque para o momento psicodélico durante a música “Brilhe” / “Shiny”) e a lava também são bem produzidas. Outro destaque são as tatuagens animadas (em 2D) na pele de Maui.

A trilha sonora é muito eficiente e as músicas de Lin-Manuel Miranda são excelentes, resgatando o aspecto de musical da Broadway que já era presente em filmes musicais anteriores da Disney. Não deixa de ser surpreendente ver Dwayne Johnson cantando (muito bem) “De Nada” / “You’re Welcome”, uma canção bastante empolgante (e chiclete). E até mesmo a canção “Brilhe” / “Shiny”, do caranguejo Tamatoa, é incrivelmente bem trabalhada, um glam rock que faz jus à memória de David Bowie.

Cena do filme 'Moana: Um Mar de Aventuras', mostrando Moana sendo capturada por Tamatoa

A versão brasileira está boa mas pecou um pouco em alguns quesitos importantes. A tradução da música “Shiny” não só perdeu grande parte do contexto da original, como fez uma confusão ao chamar Tamatoa de siri, caranguejo e até mesmo caracol. Sem contar que seu intérprete brazuca, Roberto Garcia, não tem o mesmo timbre que o cantor original, Jemaine Clement, que ainda faz firulas como David Bowie. É a versão brasileira mais fraca do filme.

Anny Gabrielly não tem a mesma sonoridade que Auli’i Cravalho, mas dá conta das músicas, apesar de seus agudos estridentes. Saulo Vasconcellos é o dublador / cantor que se sai melhor no longa e a letra de “De Nada” / “You’re Welcome” foi bem traduzida. No fim das contas, a versão brasileira está boa, mas as músicas em suas versões originais, no geral, são melhores. Falando em música, Alessia Cara é quem canta a versão single de “How Far I’ll Go”, música-tema do filme, que vem concorrendo nas premiações de cinema e deve receber indicação ao Oscar também.

“Moana” também tem muitas referências a outros filmes Disney, como “O Rei Leão” (The Lion King, 1994) e, claro, “A Pequena Sereia” (The Little Mermaid, 1989). A animação vem concorrendo diretamente com “Zootopia” (2016) e “Kubo e As Cordas Mágicas” (Kubo and The Two Strings, 2016) nas premiações de cinema, mas não tem levado a melhor, até o momento. A animação deve receber uma indicação ao Oscar de melhor animação, mas será que vai levar o prêmio? Atenção: há uma pequena cena após os créditos, que deve agradar aos fãs dos clássicos Disney.

NOTA: 9 / 10

Comentários

Deixe uma resposta