O que achei do filme “Kubo e As Cordas Mágicas”

Pôster da animação 'Kubo e As Cordas Mágicas'

Em meio às super produções da Pixar, Disney e outros grandes estúdios de animação, foi lançado no ano passado o filme “Kubo e As Cordas Mágicas” (Kubo and The Two Strings, 2016), produzido pelo estúdio Laika. O estúdio é conhecido por fazer animações utilizando a tecnologia stop-motion e produziu “Coraline” (2009) e “Os Boxtrolls” (The Boxtrolls, 2014). Também em stop-motion, “Kubo” conta uma história fantástica com personagens carismáticos por meio de uma animação extremamente bem produzida.

Kubo (Art Parkinson / Arthur Salerno) vive nos arredores de uma vila com sua mãe, Sariatu (Charlize Theron / Márcia Coutinho). Durante o dia, ele é um contador das histórias de Hanzo, um lendário samurai, com o uso de dobraduras de papel mágicas. Mas ele precisa voltar para perto de sua mãe sempre que a noite cai, pois é o momento em que ele está sujeito a ser atacado por uma entidade que planeja se vingar de sua mãe. Uma noite, porém, Kubo se descuida e corre risco de morrer. Ele só terá alguma chance se encontrar a armadura mágica de Hanzo.

Cena do filme 'Kubo e As Cordas Mágicas', mostrando Kubo, a macaca e o besouro

“Kubo” foi a primeira produção dirigida e produzida pelo diretor executivo do estúdio Laika, Travis Knight. A história do filme é bem desenvolvida, de uma forma geral, mas há uma certa linearidade que acaba tornando-a um tanto previsível. Ainda, a situação em que Kubo se encontra no início da animação é contextualizada até certo ponto; algumas dúvidas ficam sem resposta. Mas o roteiro é bem ágil e o filme flui muito bem, com direito a personagens que possuem relevância e com os quais rapidamente o espectador passa a se importar. O tom melancólico está presente durante todo o longa, que também tem sequências bastante assustadoras, até mesmo para os adultos.

Foto de bastidores mostrando o esqueleto gigante criado para a animação 'Kubo e As Cordas Mágicas'

Além de contar com um cover de “While My Guitar Gently Weeps” (dos Beatles), na voz de Regina Spektor, a trilha sonora inspirada nas músicas orientais ajuda a compor as cenas e a criar impacto. Visualmente belo, o trabalho de construção dos cenários e dos personagens foi tão bom que não é difícil ficar se perguntando se determinada cena foi criada em computação gráfica. Claro, a tecnologia computadorizada também faz parte do processo produtivo desta animação, mas sua essência consiste em stop-motion. E haja esforço e empenho nisso: além de levarem 19 meses para animar a sequência do barco, o estúdio construiu um esqueleto gigante, com quase 5 metros – é o maior boneco já construído para uma animação stop-motion.

Cena da animação 'Kubo e As Cordas Mágicas', mostrando uma das irmãs gêmeas de Sariatu atacando o barco

A dublagem original é um dos grandes diferenciais desta animação (pelo trailer abaixo, pode-se perceber que muita coisa se perde na dublagem brasileira). Todas as vozes estão muito boas, mas Charlize Theron é o maior destaque. A atriz consegue aproveitar suas possibilidades na produção e demonstra ter grande domínio de suas emoções, indo da doçura à rispidez de uma forma bem natural. Outra grande surpresa é Rooney Mara, que dá voz às irmãs gêmeas malignas de Sariatu. O tom da atriz está tão acertado que não é necessário ver as personagens para perceber o quanto elas são ameaçadoras. O longa ainda conta com as performances de Matthew McConaughey e Ralph Fiennes, que também está excepcional.

Apesar de seu grande potencial e das críticas favoráveis, “Kubo” não foi nada bem nas bilheterias. Alguns fatores podem ter causado este fracasso comercial, como a publicidade ruim e a concorrência direta (nos EUA) com blockbusters como “Procurando Dory” (Finding Dory, 2016) e “Pets – A Vida Secreta dos Bichos” (The Secret Life of Pets, 2016). Entretanto, a animação tem sido reconhecida por vários festivais de cinema pelo mundo. Indicada em 10 categorias nos Annie Awards (o maior prêmio para animações), é bastante provável que “Kubo” também receba indicação ao Oscar de melhor animação.

NOTA: 9 / 10

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