O que achei do filme “Passageiros” (2016)

Imagem promocional do filme 'Passageiros', mostrando Chris Pratt e Jennifer Lawrence olhando através de uma fresta

Um filme com Jennifer Lawrence e Chris Pratt? À primeira vista, as chances de sucesso de “Passageiros” (Passengers, 2016) seriam bem grandes, independente da trama, por conta do histórico individual de cada um. A estreia brasileira foi na última quinta-feira, mas o longa já vem sendo exibido nos EUA desde o mês passado. A recepção tem sido um tanto mista: a crítica rechaçou o filme, enquanto o público tem manifestado mais empatia. Aqui no Brasil, as reações tem sido similares.

Em um futuro não especificado, a espaçonave Avalon está transportando mais de 5 mil pessoas em câmaras criogênicas para colonizar o planeta Homestead II, em uma jornada que leva 120 anos para ser concluída. Duas dessas pessoas acabam despertando antes do previsto, faltando aproximadamente 90 anos para a chegada no planeta. Durante o tempo que passam tentando reverter a situação, Jim (Chris Pratt) e Aurora (Jennifer Lawrence) acabam se envolvendo. Em meio a tudo isso, eles serão os únicos capazes de evitar uma tragédia: a destruição da espaçonave.

Cena do filme 'Passageiros', mostrando Jim e Aurora ao lado de uma câmara criogênica

O roteiro original de “Passageiros” foi escrito por Jon Spaihts em 2007 e foi considerado um do melhores daquele ano, de acordo com o site “The Black List”, que agrega roteiros não-realizados. Desde então, o filme vem tentando sair do papel. Finalmente, depois de muitas trocas de diretores e atores, Morten Tyldum (“O Jogo da Imitação”, 2014) assumiu a direção. Ainda assim, em Outubro de 2016 (bem próximo do lançamento nos EUA), o filme passou por refilmagens.

Sem entrar em detalhes a respeito da forma como as coisas acontecem, é necessário dizer que há uma questão moral bastante relevante, que o filme alude, mas trata como se não fosse grande coisa. Durante o primeiro ato, o roteiro meio que tenta criar bases para “justificar” a decisão de determinado personagem, mas acaba passando a impressão de que os fins justificam os meios. Fora isso, além de ser bastante previsível, pode-se dizer que o filme é um romance futurista, no fim das contas. No quesito romance, é possível enxergar similaridades até com “Titanic” (1997). Outro ponto que pode incomodar é que o personagem Jim é bastante forçado: mecânico, artista e autodidata, quase um MacGyver (e ainda é interpretado por Chris Pratt).

Cena do filme 'Passageiros', mostrando Jim, Aurora e Arthur no bar

Como se passa no espaço, há um grande uso de efeitos visuais no longa. Inclusive, vale destacar positivamente o trabalho que foi realizado com o personagem Arthur (Michael Sheen), um androide bartender (embora grande parte do mérito seja do ator). Mas existe uma sequência onde a personagem de Jennifer Lawrence fica presa em uma bolha d’água, durante um momento em que ocorre uma pane com o controle da gravidade da nave. Por mais que ela seja visualmente impressionante, a sequência não parece ser completamente factível, do ponto de vista físico. Há discussões em torno desta cena em alguns fóruns e até mesmo na seção de comentários do vídeo da cena no YouTube. O 3D aqui é bem utilizado, principalmente nas sequências mais movimentadas.

Cena do filme 'Passageiros', mostrando Jim e Aurora procurando alguma coisa

Chris Pratt e Jennifer Lawrence fazem um boa dupla, com uma certa química. Com uma experiência maior na comédia e na ação, Pratt deixa um pouco a desejar nas cenas dramáticas, dominadas por Lawrence. São os melhores momentos dos dois, já que suas interpretações nas demais cenas não causa grandes impressões (mas há uma quantidade considerável de cenas em que eles exibem seus belos corpos, rs). O talentoso Michael Sheen está bastante carismático como o androide Arthur e garante boas sequências junto a Pratt e Lawrence. Falando de atores subaproveitados, Laurence Fishbourne faz uma pequena participação e Andy Garcia aparece em uma única cena, sem falas.

“Passageiros” tinha uma premissa muito interessante, mas seguiu a linha de um filme de romance básico e previsível onde o casal protagonista é formado, vive feliz por um período e supera um momento difícil na relação. A diferença aqui reside no pano de fundo e em toda a circunstância moralmente discutível que resultou no envolvimento dos dois.

NOTA: 7.5 / 10

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