O que achei de “Westworld” – Temporada 1 (Parte 2)

Cena da série 'Westworld', mostrando Ford e Bernard

Esta é a 2a. parte de uma review que começou aqui.

O núcleo de Dolores (Evan Rachel Wood) é fundamental para a compreensão da história, mas é o mais complexo e, de todos, o que demora mais para se desenvolver. Demora tanto que alguns acontecimentos do último episódio acabam sendo bastante previsíveis. A história de Bernard (Jeffrey Wright) começa bem, mas os eventos que ocorrem na metade final da temporada deixam o personagem um tanto apático. Outro problema que pode incomodar: a onipotência e onipresença de Ford (Anthony Hopkins) é um tanto surreal demais. Tudo bem que ele é o criador de tudo, mas ninguém consegue monitorá-lo mesmo?

Já o núcleo de Maeve (Thandie Newton) definitivamente é o mais interessante, tanto por conta da história mais objetiva, como pela brilhante performance de Thandie Newton. É fascinante assistir à personagem enquanto ela vai criando consciência (digamos assim) sobre o que está acontecendo; uma das sequências mais marcantes e emocionantes da temporada é justamente quando ela passeia pelos setores internos do complexo, ao som das cordas do Vitamin String Quartet tocando “Motion Picture Soundtrack”, originalmente da banda Radiohead.

Cena da série 'Westworld', mostrando Maeve e Felix passeando pelo complexo Westworld

Falando nisso, a trilha sonora é recheada de músicas famosas em versões simplificadas (mas não menos impactantes), ao som de piano e/ou cordas. O compositor Ramin Djawadi fez uma seleção de músicas que se adequavam muito bem ao contexto em que eram inseridas. Por exemplo, no primeiro episódio, tivemos a chegada da quadrilha de Hector (Rodrigo Santoro) ao som da frenética “Paint it Black”, dos Rolling Stones; em outro episódio, uma Maeve totalmente consciente começa a agir no parque, ao som de “Back to Black”, de Amy Winehouse. A trilha sonora já está disponível nas plataformas de streaming e distribuição digital.

Como o parque se passa no velho-oeste, nada mais justo do que uma ambientação e caracterização condizente com a época. As paisagens são belíssimas e o aspecto mais moderno e clean dos cenários da empresa faz um contraponto interessante com os ambientes do parque. Os efeitos visuais são caprichadíssimos, provavelmente por conta do alto investimento. Um dos grandes destaques neste quesito é uma versão jovem de Ford, criado com uma tecnologia similar à que possibilitou o rejuvenescimento de Tony Stark em uma sequência de “Capitão América: Guerra Civil”.

Cena da série 'Westworld', mostrando Ed Harris na pele do 'Homem de Preto'

Os principais destaques de atuação são Anthony Hopkins, Evan Rachel Wood e, claro, Thandie Newton. As duas últimas, inclusive, estão indicadas ao Critics’ Choice Awards, que acontece hoje — acredito que Thandie Newton deve levar seu prêmio de atriz coadjuvante; já Evan Rachel Wood tem uma concorrência maior e talvez não seja laureada. Não posso esquecer também da ótima e dúbia performance de Ed Harris como o misterioso “Homem de Preto”, cujas intenções de fato só são reveladas ao final da temporada.  A série ainda conta com a presença de James Marsden, que não tem um personagem realmente interessante, embora tenha bem mais tempo de tela que Rodrigo Santoro, no papel de Hector, um personagem mais relevante.

Repleto de reviravoltas e revelações, “Westworld” imprimiu sua marca na televisão no ano de 2016 e já é um sucesso da HBO, ao lado de “Game of Thrones”. A conclusão da primeira temporada (com a longa duração de 1h30) praticamente fechou um ciclo, mas deixou várias possibilidades, então é difícil prever o que vamos ver na próxima temporada, que está prevista apenas para 2018. Ah! Não deixe de assistir à cena extra que existe após os créditos do último episódio.

NOTA: 9 / 10

Veja a primeira parte desta review aqui.

Cena da série 'Westworld', mostrando Dolores em modo de análise

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