O que achei do filme “Trolls”

Foto promocional do filme 'Trolls'

Lançado nos cinemas brasileiros no fim do mês passado, “Trolls” tem tudo para se tornar a mais nova franquia animada da Fox / DreamWorks Animation: é super colorido, carismático, tem muitos personagens e é bastante musical. Mas tem um roteiro um tanto simples, se comparado a outros grandes sucessos animados deste ano (como Zootopia), e releituras de músicas que podem não agradar aos mais novos. Mesmo assim, o longa é uma introdução bem-sucedida ao mundo das criaturinhas cabeludas.

Poppy (Anna Kendrick / Jullie) é a princesa dos trolls, criaturas alegres que dançam, cantam e se abraçam o dia todo. Há uma lenda que diz que comer um troll é sinônimo de ser feliz. Os bergens, criaturas gigantes, tristes e feias, acreditam na lenda e vivem caçando os trolls em busca da felicidade. Depois de um ataque onde alguns trolls foram raptados por uma bergen, Poppy decide honrar o legado de seu pai e ir ao encontro dos bergens para resgatar seus companheiros. Para isso, ela conta com a ajuda de Tronco (Justin Timberlake / Hugo Bonemer), um troll completamente fora do padrão: mal-humorado, pessimista e sem cor. Será que essa dupla tão diferente vai conseguir ter sucesso?

Cena do filme 'Trolls', mostrando uma bergen encontrando os trolls

“Trolls” é baseado na coleção homônima de bonecos criada por Thomas Dam e estava em produção desde 2010. O filme passou por mudanças de elenco e até mesmo de roteiro, o que fez a sua data de lançamento ser adiada em 1 ano. O roteiro, por sinal, não é dos mais originais (um segmento remete à história da Cinderela) e também não tem tanta profundidade. Apesar da grande quantidade e variedade de personagens, o filme foca em um pequeno subconjunto, onde nem todos são bem explorados.

A simplicidade visual contrasta com o poder gráfico de um Procurando Dory, mas é um filme bastante lúdico —para não dizer psicodélico. “Trolls” mostra um mundo que é uma explosão de cores permeada por criaturas bizarras que parecem ter saído da mente de uma criança. Cada troll também tem um comportamento e um design peculiar, o que não deve ter sido uma tarefa fácil para os criadores, dada a grande quantidade deles.

Cena do filme 'Trolls', mostrando Poppy e Tronco

A trilha sonora, produzida por Justin Timberlake, tem algumas canções originais e vários covers de sucessos como “Hello”, de Lionel Richie e “True Colors”, de Cyndi Lauper. Apesar da qualidade destas canções, são escolhas bem questionáveis, considerando que o público-alvo do longa é infantil. Da trilha original, os destaques são “Get Up Back Again” na voz de Anna Kendrick e a já conhecida “Can’t Stop The Feeling”, de Justin Timberlake; ambas devem tentar vaga nas premiações de cinema que vêm por aí.

Além de Kendrick e Timberlake, o elenco original do filme ainda conta com Zooey Deschanel, Christine Baranski e Christopher Mintz-Plasse. A dublagem nacional convocou a cantora Jullie (The Voice Brasil) e o ator Hugo Bonemer (que também canta) para dar voz aos protagonistas. Além deles, o blogueiro Hugo Gloss dubla o personagem Guy Diamante; não dá pra perceber muito bem, porque a voz do personagem tem autotune. A dublagem está boa, mas a versão original das canções consegue ser bem superior às versões nacionais. Isso sem contar que nem todas as canções foram dubladas (nem legendadas), como o cover “The Sound of Silence” (Simon & Garfunkel), o que pode deixar os pequenos entediados.

Cena do filme 'Trolls', mostrando os trolls encarando uma bergen

Enquanto o universo lúdico e colorido de “Trolls” pode ser um atrativo para o público infantil, as músicas e algumas piadas devem despertar o interesse dos jovens e adultos. É um possível candidato ao Oscar de melhor animação e seria um melhor representante para a DreamWorks do que o fraco Kung Fu Panda 3. Ah, caso tenham curiosidade de ver, há uma pequena cena extra durante os créditos!

NOTA: 8 / 10

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