O que achei de “RuPaul’s Drag Race: All Stars” – Temporada 2

Cena de episódio da 2a temporada de 'RuPauls Drag Race: All Stars', mostrando RuPaul

O que foi esta segunda temporada de “RuPaul’s Drag Race: All Stars”? Depois de uma primeira temporada fraquíssima e altamente criticada, parece que RuPaul e os produtores vieram amadurecendo e aprimorando suas ideias ao longo dos 4 anos que separaram as duas edições. O resultado foi uma temporada que deu muito o que falar graças à nova dinâmica de eliminações, ao casting e às reviravoltas (em se tratando de RuPaul, pode-se esperar tudo).

Primeiramente, vamos falar do elenco de All-Stars desta edição: da 2a. temporada, tivemos Tatianna; da 4a. temporada, tivemos Phi Phi O’Hara; da 5a. temporada, tivemos Alaska, Alyssa Edwards, Coco Montrese, Detox e Roxxxy Andrews; da 6a. temporada, tivemos Adore Delano; finalmente, da 7a. temporada, tivemos Katya e Ginger Minj. Fora a numerosa presença de competidoras da 5a. temporada (incluindo o trio “Rolaskatox”), foi interessante terem trazido Alyssa, Katya e Adore, todas favoritas dos fãs. A presença de Tatianna mostrou que todas as competidoras que passaram pelo programa ainda são notadas por RuPaul, e isso é louvável.

Foto promocional mostrando o elenco da 2a temporada de 'RuPauls Drag Race: All Stars'

Agora, vamos para a dinâmica de eliminações em cada episódio. Depois do desfile das competidoras, RuPaul elege as 2 drags que tiveram o melhor desempenho (“top”) e as drags que tiveram o pior desempenho nas provas (“bottom”) do episódio. As que tiveram o melhor desempenho devem dublar por seu legado (“Lipsync for your legacy”) e a vencedora do duelo (mais uma vez, escolhida por RuPaul) é quem determina qual das drags do bottom vai deixar a competição.

Deixar esta decisão nas mãos das próprias competidoras expressa que todas as All-Stars têm discernimento suficiente para enxergar quem tem potencial e é uma forma de compartilhar essa grande responsabilidade. Mas decisões são subjetivas, como as do próprio Ru, e era mais do que óbvio que as amizades e panelinhas (leia-se “Rolaskatox”) iriam falar mais alto. Se não fosse por isso, Roxxxy Andrews teria sido dispensada logo nos primeiros episódios. Também foi interessante assistir às conversas entre as competidoras argumentando seus pontos de vista e defendendo sua permanência no programa perante as melhores – eliminando a necessidade de um programa Untucked.

Atenção para SPOILERS a partir daqui…

Foto de cena de episódio da 2a temporada de 'RuPauls Drag Race: All Stars', mostrando Alyssa Edwards no Snatch Game

Logo depois das críticas que recebeu no 1o. episódio, especialmente de Michelle Visage, Adore não segurou a barra e desistiu da competição. Por mais que se lamente essa decisão, é perceptível que ela não amadureceu e que não está pronta pra passar por toda a pressão e pelo julgamento do programa novamente. Ela compareceu ao episódio “Reunion” e RuPaul foi compreensivo, dando a entender que pode convocá-la novamente para participar da próxima temporada do “All-Stars”; Adore não respondeu se aceitará, entretanto.

Participar novamente de um reality show dá a chance de tentar uma estratégia diferente, de mostrar novos talentos, de (re)conquistar ou se redimir para o grande público. Tatianna e Roxxy Andrews agarraram a oportunidade e mostraram porque são All-Stars. Enquanto Tatianna ganhou novos fãs com seu ótimo desempenho (seu declamação “The Same Parts” foi surpreendentemente genial), Roxxy deixou a imagem amargurada e vilanesca para trás.

Foto promocional da 2a temporada de 'RuPauls Drag Race: All Stars' mostrando Adore Delano e Phi Phi OHara

Não se pode dizer o mesmo de Phi Phi O’Hara, que piorou ainda mais a sua imagem já arranhada  na 4a. temporada, atacando e fazendo jogos mentais com as demais participantes. Ela ainda teve a audácia de dizer que a edição a prejudicou (ela também alegou isso na sua temporada original, diga-se de passagem), mas quem forneceu o material para a produção foi a própria. Sua reputação está tão manchada que o próprio RuPaul deixou de segui-la no Twitter e soltou várias indiretas no episódio “Reunion”, ao qual Phi Phi não fez questão de ir.

Esta edição de “RuPaul’s Drag Race: All Stars” ainda contou com duas reviravoltas. RuPaul convocou as drags eliminadas até o episódio 4 para lutar por seu retorno ao programa. Vencedoras da prova do episódio 5, Alyssa Edwards e Tatianna tiveram de duelar em um “lipsync for your legacy” não só para eliminar uma drag do bottom, mas também para voltar à competição. Em uma decisão inesperada, RuPaul elege ambas como vencedoras do duelo, sendo que ambas poderiam eliminar uma drag cada. Mas ambas tinham a mesma pessoa em mente e acabaram eliminando Phi Phi O’Hara, que saiu amargurada com Alyssa Edwards, evitando abraçá-la.

Foto de cena de episódio da 2a temporada de 'RuPauls Drag Race: All Stars', mostrando Alaska, Detox e Katya

Alaska, Detox e Katya formaram o Top 3 All-Stars, o que foi bem razoável, apesar do jogo de proteção do Rolaskatox: Katya é autêntica e divertida, embora não tenha um senso estético incrível como o de Detox, que surpreendeu e muito nas passarelas e fez boas performances nas provas. Alaska, a vencedora, sem dúvidas, é a drag que cumpria a maior parte dos requisitos. Ela sabe como o jogo e o mundo do entretenimento funcionam. Seu grande momento de crise (beirando ao desespero) no episódio em que está no bottom demonstrou que ela queria muito mesmo a vitória.

“RuPaul’s Drag Race: All-Stars” mostrou que consegue ser relevante mesmo depois que 100 drags já passaram pelo reality. E RuPaul continua fantástico, fazendo jus ao Emmy que venceu. Todas as mudanças na dinâmica do jogo também deram um frescor, uma sensação de novidade que há algum tempo não se tinha. Será que teremos mudanças na dinâmica do reality na temporada normal do ano que vem?

NOTA: 9 / 10

Foto de cena de episódio da 2a temporada de 'RuPauls Drag Race: All Stars', mostrando Alaska vencedora

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