O que achei do filme “O Sono da Morte”

Cena do filme 'O Sono da Morte', mostrando Jacob Tremblay deitado de olhos abertos

O filme “O Sono da Morte” (Before I Wake) passou por um grande perrengue para chegar aos cinemas. Inicialmente batizado de “Somnia”, o longa foi gravado em 2013, e seu lançamento estava previsto para o ano passado. Devido ao pedido de falência da Relativity Media, empresa responsável pela distribuição do filme, os planos foram suspensos. Somente no segundo semestre deste ano, depois que a empresa voltou a ter condições de seguir com seus projetos, é que o filme foi lançado. No Brasil, a estreia foi no começo deste mês.

Ainda lidando com o luto pela perda de seu filho, o casal Jessie (Kate Bosworth) e Mark (Thomas Jane) decidem adotar uma garotinho chamado Cody (Jacob Tremblay). À primeira vista, Cody é uma criança dócil e tranquila, mas um fenômeno sobrenatural ocorre quando ele dorme: seus sonhos e pesadelos se materializam. E como os pesadelos de Cody podem ser mortais, todas as pessoas próximas a ele correm grande risco.

Cena do filme 'O Sono da Morte', mostrando Kate Bosworth e Thomas Jane vendo uma borboleta azul

O roteiro tem um conceito original, mas não assume um gênero específico, como também aconteceu com “A Colina Escarlate” (Crimson Peak, 2015). Aqui temos drama e fantasia acompanhados de suspense com sustos. Essa mistura compromete um pouco o resultado do filme. A história transcorre bem até a segunda metade do filme. A partir daí, Jessie passa a ter um comportamento diferente; parece até outra personagem. Sem adversidades, a conclusão do longa é conveniente demais (um pouco frustrante, até).

Tecnicamente o filme é muito bom. A direção é bastante segura, os efeitos especiais são bem produzidos e a fotografia é eficiente. A trilha sonora, de Danny Elfman (conhecido por seus trabalhos com Tim Burton) se destaca positivamente, sobretudo nas sequências em que os pais de Cody lidam com seus sonhos materializados.

Cena do filme 'O Sono da Morte', mostrando Kate Bosworth em um corredor cheio de borboletas

Embora já seja conhecido por seu desempenho espetacular em “O Quarto de Jack” (Room, 2015),  este foi o primeiro longa em que Jacob Tremblay atuou. E, mais uma vez, o talento do garoto não deixa de impressionar. Tremblay consegue dominar muito bem seu personagem, o que já não pode se dizer de Kate Bosworth. Em algumas sequências, ela acerta; em outras, não consegue transmitir a emoção que a situação pede (sua performance na sequência final é muito ruim).

“O Sono da Morte” é um longa interessante, mas sofre um pouco no quesito roteiro. Embora válida, a mistura de gêneros do roteiro afeta o andamento da história: o espectador não consegue absorver as nuances de uma cena quando leva um susto na cena seguinte. Pra piorar, “O Sono da Morte” foi promovido como suspense / terror, como pode se notar pelo nome que recebeu no Brasil.

NOTA: 7.5 / 10

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