O que achei de “Stranger Things” – Temporada 1

Pôster da série 'Stranger Things'

A nostalgia é uma sensação que vem se tornando cada vez mais popular nos últimos anos, no cinema, nos games, na música e na TV. A Netflix, sempre antenada nas tendências, logo lançou sua mais nova série original, “Stranger Things”, que se passa nos anos 80 e é recheada de referências à cultura pop da época. Muito bem executada, a produção virou um sucesso imediato, especialmente entre os brasileiros, e deixou muita gente ansiosa por uma nova temporada, que ainda não foi confirmada (questão de tempo).

Uma noite, numa pequena cidade de Hawkings, em Indiana, Will (Noah Schnapp), Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) interrompem uma partida de RPG (“Dungeons & Dragons”) na casa de Mike (Finn Wolfhard) que já durava 10 horas. Na volta para casa, Will acaba desaparecendo após encontrar uma criatura sinistra. No dia seguinte, uma misteriosa garotinha de cabelo raspado (Millie Bobby Brown) é encontrada por Will, Dustin e Lucas, enquanto ajudavam a procurar seu amigo desaparecido. Os três logo descobrem que o sumiço de Will e o aparecimento da garota estão relacionados, numa trama sobrenatural cheia de mistérios envolvendo agências governamentais.

Cena da série 'Stranger Things', mostrando as crianças espionando alguma coisa

Criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer (The Duffer Brothers), a série tem um roteiro abarrotado de referências a filmes clássicos como “Os Goonies” (The Goonies, 1985), “E.T. – O Extraterrestre” (E.T. the Extra-Terrestrial, 1982), “Alien” (1979) e outros. É uma diretriz válida, e proporciona grandes momentos nostálgicos, mas não deixa de ser um tanto preguiçosa e sem originalidade. O fato é que não há nada essencialmente inovador na história de “Stranger Things”, pois até mesmo o mistério por trás do desaparecimento de Will tem uma explicação que não é inédita para muitos. O roteiro de alguns episódios também peca por estender o andamento dos eventos, enrolando um pouco o espectador. Ainda assim, diversos acontecimentos sobrenaturais não são explicados e, ao final da temporada, muitas perguntas ficam sem resposta. Será que uma segunda temporada vai respondê-las? Talvez sim, talvez não…

Cena da série 'Stranger Things', mostrando os personagens do núcleo adolescente

Apesar desses problemas, a série compensa bastante na execução. A trilha sonora possui composições originais synthpop, criadas pelo duo Survive (a abertura da série é simples e genial), e, como não podia deixar de ser diferente, muitos sucessos de artistas nos anos 80 como The Clash, Toto, Joy Division, New Order, Foreigner… Além da excelente trilha sonora, a direção de arte de “Stranger Things” conseguiu recriar muito bem a atmosfera clássica dos filmes oitentistas: o figurino, a maquiagem, os cenários e seus detalhes, eletrodomésticos, veículos, todos eles demonstram eficientemente a cara da cultura que os americanos respiravam na época. Os efeitos visuais são bem produzidos, mas chega a incomodar o excesso de escuridão nas cenas das aparições sobrenaturais (que pode ser proposital, por conta dos filmes da época).

Cena da série 'Stranger Things', mostrando Jonathan e Joyce

O bom desempenho e o carisma dos atores contribuem para o sucesso da série com o público. As crianças foram muito bem selecionadas, porque são bastante expressivas, transmitem veracidade, têm química entre si e são responsáveis pelos momentos mais lúdicos e divertidos da série (com destaque para o “banguelinha” Gaten Matarazzo neste quesito). Também foi interessante acompanhar o crescimento e as relações de Nancy (Natalia Dyer), Steve (Joe Keery) e Jonathan (Charlie Heaton), que protagonizam o arco adolescente da trama (que é bem batido). Winona Ryder (que é a cara dos anos 80, não é?) volta ao mainstream interpretando Joyce, a mãe de Will, com bastante desespero e aflição (um pouco “over”, mas aceitável, dentro das circunstâncias). A série ainda conta com o ótimo David Harbour como o delegado Hopper e com Matthew Modine, numa performance meio caricata  como o dr. Brenner.

Cena da série 'Stranger Things', mostrando Eleven amassando uma lata com seu poder paranormal

Mesmo contando com um roteiro sem muita criatividade, “Stranger Things” é muito divertida e foi uma aposta certeira da Netflix, que conseguiu resgatar os sentimentos nostálgicos de muitas pessoas, ao investir em uma boa execução e na escalação dos atores. Mesmo sem confirmação de uma segunda temporada da série, os fãs estão ansiosos por novos episódios e a Netflix deve anunciar sua renovação em breve. Tomara que as próximas temporadas continuem sendo bem executadas, mas é bom que tragam novidades (principalmente no roteiro), porque a nostalgia pode deixar de ser tendência.

NOTA: 8.5 / 10

>

Comentários

Deixe uma resposta