O que achei do primeiro episódio da série “A Garota da Moto”

Foto de Christiana Ubach, caracterizada como a personagem Joana, da série 'A Garota da Moto'

Novidade na tela do SBT nesta semana: estreou na última Quarta-feira, às 21h30, a série nacional de ação “A Garota da Moto”. Desenvolvida através de parceria entre a emissora de Silvio Santos, a Fox Brasil e a produtora Mixer a partir do texto original de Tiago Santiago e João Daniel Tikhomiroff (que também é o diretor), a série provavelmente é reflexo dos incentivos / exigências da Ancine para transmissão de mais conteúdo nacional na programação das TVs por assinatura, visto que ela também será exibida no canal Fox Life a partir de Outubro deste ano. Apesar da boa intenção, dá pra ver que a teledramaturgia brasileira ainda precisa aprender muito com as séries estrangeiras.

O primeiro episódio já começa mostrando qual é o dilema da protagonista Joana (Christiana Ubach). Ela se envolve com um milionário casado e, ao perceber que sua gravidez não é bem recebida pelo amante, ela decide deixá-lo e criar o filho sozinha. Anos depois, o milionário morre, sob circunstâncias suspeitas. Bernarda de Albuquerque (Daniela Escobar), a viúva sem escrúpulos, ciente de que ele teve um filho fora do casamento, decide eliminar Joana e seu filho, para ficar com todos os bens do falecido marido. Refugiando-se na casa de seu pai, no Rio de Janeiro, Joana tenta recomeçar a vida, trabalhando como motogirl na empresa “Motópolis”. Mas tudo indica que Bernarda já sabe o paradeiro de Joana.

Foto de Daniela Escobar caracterizada como Bernarda, da série 'A Garota da Moto'

Durante o episódio, foram exibidos segmentos onde Joana e Bernarda explicam quem são e o que está se passando com elas. A ideia é interessante, mas foi realizada de uma forma excessivamente didática e um tanto fabulesca (os textos de Bernarda são dignos de vilãs de contos de fadas). Apresentar os personagens, um a um, também foi um recurso preguiçoso, que não estimula o espectador a querer conhecê-los melhor, já que suas características foram entregues de mão beijada. A trilha sonora é bem genérica e não é memorável (assim como a abertura da série). As cenas de ação são razoavelmente bem produzidas, mas seria bom um aumento progressivo da intensidade dos perigos que Joana passa, pois o conflito deste primeiro episódio não foi cativante o suficiente.

Apesar de ter de interpretar um texto recheado de clichês, Christiana Ubach conseguiu passar bastante carisma, feminilidade e pulso com sua personagem (que vive, essencialmente, num mundo masculino). A vilã de Daniela Escobar pode vir a ter alguns momentos interessantes se descer de seu pedestal para agir por conta própria (preferencialmente, cara a cara com Joana). Os personagens coadjuvantes (em sua maioria, desconhecidos do grande público) não têm profundidade e, basicamente, só devem servir de alívio cômico (que se mostrou bem fraco, por sinal).

A primeira temporada de “A Garota da Moto” (um nome bem ruim, inclusive) terá 26 episódios e está sendo exibida diariamente às noites pelo SBT. A série ainda precisa melhorar muito para conquistar aqueles que já viciados em séries, mas é um bom começo para que novas (e boas) ideias apareçam no cenário nacional da teledramaturgia.

NOTA: 6 / 10

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