O que achei do filme “Procurando Dory”

Imagem promocional do filme 'Procurando Dory'

Em 2003, conhecemos o incrível mundo submarino da Disney / Pixar com o longa animado “Procurando Nemo” (Finding Nemo), que fez muito sucesso e virou um dos grandes candidatos a ganhar sequências. 10 anos depois, a Disney oficializou a continuação, “Procurando Dory” (Finding Dory), para lançamento no fim do mês passado. Como o título diz, o foco aqui é no passado da desmemoriada Dory, uma das mais carismáticas personagens do primeiro filme, em que ajudou Marlin a encontrar seu filho perdido Nemo. E este segundo filme complementa bem a história e mantém o bom nível de humor de seu predecessor sem deixar de emocionar.

Depois de ajudá-los no primeiro filme, Dory (Ellen DeGeneres / Maíra Góes) passou a viver com Marlin (Albert Brooks / Júlio Chaves) e Nemo (Hayden Rolence / Rafael Mezardri). Um dia, enquanto participava de uma das aulas de Nemo, Dory lembra de fragmentos de seu passado. Ela decide, então, ir em busca de seus pais, de quem se perdeu quando era jovem. Preocupados com as limitações de memória dela, Marlin e Nemo decidem ajudá-la na missão, que se transforma em uma nova aventura onde Dory vai resgatando sua história ao mesmo tempo que encontra velhos conhecidos e faz novos amigos.

Imagem promocional do filme 'Procurando Dory', mostrando Dory filhote ao lado de seus pais

Como os personagens já são conhecidos, o filme não perde tempo em apresentar a história e a jornada de Dory logo inicia, acompanhado de inúmeros flashbacks. O roteiro tem o cuidado de se referenciar aos acontecimentos do primeiro filme: é muito bom rever a cena do encontro de Marlin e Dory, sob uma nova perspectiva. As novas ambientações são bem criativas (lembram os parques aquáticos americanos), os novos personagens são bem interessantes e engraçados, mas a falta de background sobre Hank (Ed O’Neill / Antônio Tabet) chega a incomodar um pouco. Há um bom equilíbrio entre os momentos mais delicados do filme e as cenas de humor, que não são apenas protagonizadas por Dory; os novos personagens também têm um bom destaque neste quesito.

Cena do filme 'Procurando Dory', mostrando Dory e Hank

Os filmes da Pixar são sinônimo de qualidade técnica e, se já tínhamos nos maravilhado com os cenários e efeitos visuais no primeiro filme, aqui o nível só aumentou. Por exemplo, Hank é um polvo que faz uso de sua camuflagem para evitar ser visto, e isso rende muitas cenas onde o flexível personagem é mesclado ao ambiente de uma forma bastante orgânica e crível, de dar inveja a Randall, de “Monstros S. A.” (Monsters, Inc., 2001). A trilha sonora é envolvente e ainda conta com a faixa “What a Wonderful World”, de Louis Armstrong e uma regravação de “Unforgettable” na voz de Sia (a música originalmente foi gravada por Nat King Cole).

Apesar de perder algumas piadas no processo de tradução, a dublagem brasileira está muito boa. Enquanto manteve todos os atores já conhecidos do primeiro filme, ainda trouxe algumas surpresas. A voz brasileira da locutora do instituto onde Dory vai parar é da jornalista e atriz Marília Gabriela, cuja performance se encaixou bem na proposta (na versão original, é a atriz Sigourney Weaver). A voz do polvo Hank é feita por Antônio Tabet, do grupo Porta dos Fundos, e aqui também há a participação dos integrantes da Cia. Barbixas de Humor fazendo as vozes dos leões-marinhos, que roubam a cena em alguns momentos.

Cena do filme 'Procurando Dory', mostrando os leões-marinhos ao lado de Marlin e Nemo

Como já é de costume nos filmes da Pixar, um curta antecede a exibição de “Dory”: “Piper: Descobrindo o Mundo” (Piper) é um delicioso filme de 6 minutos que mostra um pequeno passarinho tentando aprender a obter seu alimento sozinho enquanto lida com seu medo de água. Extremamente realista, consegue ser ainda mais impressionante do que “Dory” neste ponto. É altamente cativante e satisfatório, mesmo tendo um conceito relativamente simples.

“Procurando Dory” está fazendo muito sucesso: já é o filme de maior bilheteria nos EUA este ano, superando “Capitão América: Guerra Civil”. Além disso, foi a maior estreia de uma animação por lá e aqui no Brasil também. Diante desses números, fica difícil acreditar que a Pixar não vai mais produzir continuações para estas franquias de sucesso (conforme anunciou recentemente). De qualquer forma, não deixe de assistir a cena pós-créditos com a participação de personagens do primeiro filme!

NOTA: 8,5 / 10

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