O que achei do filme “Caça-Fantasmas” (2016)

Imagem promocional do filme 'Caça-Fantasmas'(2016)

Há muito tempo se fala em reviver a franquia “Caça-Fantasmas” (Ghostbusters), que fez muito sucesso na década de 80. Mas a relutância de Bill Murray (que fez Peter Venkman) em voltar a atuar na franquia era um empecilho. Isso, mais a morte de um dos protagonistas e criadores da franquia, Harold Ramis (que interpretou Egon Spengler), fez com que Sony / Columbia decidissem produzir um reboot da série. Assim, a nova versão de “Caça-Fantasmas” foi lançada no meio deste mês, com uma história inteiramente nova, mas que faz diversas homenagens à original.

Erin Gilbert (Kristen Wiig) é uma professora da Universidade de Columbia que vê seu prestígio ameaçado quando descobre que um livro que escreveu antigamente sobre fenômenos sobrenaturais e fantasmas foi republicado pela coautora, Abby Yates (Melissa McCarthy), que ainda estuda o assunto, junto com Jillian Holtzmann (Kate McKinnon). Depois de perder o emprego, por conta da repercussão do livro, Erin é convencida por Abby a entrar na equipe após todas presenciarem um evento sobrenatural. Os eventos continuam ocorrendo pela cidade de Nova Iorque, inclusive no metrô, onde são vistos pela funcionária Patty Tolan (Leslie Jones), que recorre às especialistas e acaba se juntando a elas para investigar e acabar com os fantasmas da cidade.

Foto promocional do filme 'Caça-Fantasmas' (2016), mostrando as protagonistas

Este reboot causou controvérsia já na escalação do elenco. Ao contrário da primeira versão, os caça-fantasmas aqui são mulheres, o que despertou a fúria dos fãs mais apegados. Isso, porém, é algo bastante válido do ponto de vista de representatividade na indústria cinematográfica. Além disso, as protagonistas são bem experientes na comédia (Melissa McCarthy não precisa de apresentações e as demais vieram do programa “Saturday Night Live”, de onde também saíram os caça-fantasmas originais Dan Aykroyd e Bill Murray).

O filme consegue ser bem-sucedido na introdução do universo e das personagens, embora conte com um roteiro simples, que apela para um antagonista pirado e bastante caricato. O tom de humor do longa oscila um pouco, entre várias piadas sem graça e sequências engraçadíssimas (o show de rock, por exemplo). Já um ponto positivo, principalmente para os fãs nostálgicos, é que há muitas referências ao filme original (muitas mesmo).

Cena do filme 'Caça-Fantasmas' (2016), mostrando Erin encontrando um fantasma

No geral, foi feito um bom trabalho com os efeitos visuais do filme, e aqui também houve o cuidado de se respeitar a primeira versão. Por exemplo, os raios disparados pelas armas das caça-fantasmas são bem similares. Falando nisso, o 3D é utilizado em diversas sequências do longa, inclusive quando as protagonistas disparam suas armas. O fantasma conhecido como “Geleia” também dá as caras neste filme, em uma versão bem fiel e, ao mesmo tempo, moderna. A trilha sonora é razoável, conta com a versão original de “Ghostbusters”, de Ray Parker Jr., e mais algumas trocentas versões novas da mesma música.

A química entre as protagonistas é boa e todas têm seus bons momentos. Leslie Jones é uma figura e rouba a cena em vários momentos. Já a personagem de Kate McKinnon às vezes age de uma maneira forçada demais. Chris Hemsworth faz Kevin, o lindo e burro secretário das caça-fantasmas (outra novidade em relação ao filme original), e mostra que também tem uma veia cômica bastante afiada. O longa tem diversas participações especiais (cameos) e a maioria delas vai agradar aos fãs da primeira versão.

Cena do filme 'Caça-Fantasmas' (2016), mostrando Chris Hemsworth

A releitura de “Caça-Fantasmas” chegou com ótimas intenções e proporciona bons momentos de diversão, mas não é marcante e nem envolvente como a primeira versão. A resposta do público tem sido bastante negativa (por motivos injustos, até) e o filme dificilmente se pagará com a bilheteria, o que deve influenciar a continuidade da franquia. Os créditos são acompanhados de uma sequência de dança que (felizmente) foi cortada do filme e, ao final deles, há uma cena extra importante para o próximo filme, se houver.

NOTA: 7.5 / 10

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