O que achei do filme “Rua Cloverfield, 10”

Pôster do filme 'Rua Cloverfield, 10'

J. J. Abrams é um dos principais nomes que se ouve atualmente como referência em ficção científica no cinema e na TV. Ele esteve por trás de blockbusters como “Armageddon” (1998), o novo “Star Trek” (2009) e o mais recente capítulo da saga “Star Wars”, “O Despertar da Força” (2015), do qual foi diretor, produtor e roteirista. Diante desses filmes, a mais recente produção de Abrams, “Rua Cloverfield, 10” (10 Cloverfield Lane), é uma surpresa. O longa não vira refém dos efeitos especiais (abundantes nos filmes citados) e, ainda assim, consegue fisgar a atenção do espectador.

Depois de se desentender com seu noivo, Michelle (Mary Elizabeth Winstead) arruma suas coisas e sai de Nova Orleans, aparentemente sem rumo. Dirigindo à noite, ela acaba sofrendo um acidente. Ao recuperar a consciência, ela se encontra em um bunker (abrigo subterrâneo contra desastres), construído por Howard (John Goodman). Ele afirma que a salvou de um ataque que deixou o mundo inabitável e que devem ficar abrigados ali. Michelle está extremamente desconfiada da história e do comportamento de Howard, mas… E se ele estiver falando a verdade?

Foto de cena do filme 'Rua Cloverfield, 10', mostrando Michelle tentando obter sinal de celular

“Rua Cloverfield, 10” é tido como um sucessor espiritual de “Cloverfield: Monstro” (Cloverfield, 2008), também de Abrams. Apesar do nome, este filme tem poucas similaridades com o “predecessor”. O orçamento também foi menor: 15 milhões de dólares (10 milhões a menos). Não é necessário assistir a “Cloverfield: Monstro” para entender “Rua Cloverfield, 10”, a não ser por curiosidade, pois os estilos dos dois filmes são bem diferentes. Aqui, também existe ficção científica, mas a tensão e o suspense psicológico são predominantes.

Um dos pontos altos aqui é a combinação visual e sonora. Os primeiros 10 minutos do filme não têm absolutamente nenhuma fala da protagonista e, ainda assim, são bastante eficientes. Não há tentativa de pregar sustos gratuitos, com música crescente, uma técnica bastante “abusada” por muitos suspenses e filmes de horror. Quase todo o filme se passa no bunker e a fotografia dessas cenas é bem realizada. Os efeitos especiais são bons, mas a escuridão excessiva de algumas cenas prejudica um pouco.

Foto de cena do filme 'Rua Cloverfield, 10' mostrando Howard e Michelle

Mary Elizabeth Winstead transmite muita segurança interpretando Michelle, que fica aflita inicialmente, mas depois mostra bastante garra e inteligência. É uma protagonista muito forte e a performance de Mary é um fator imprescindível para isso. E John Goodman surpreende com uma boa atuação de um personagem paranóico e, ao mesmo tempo, assustador. Uma curiosidade sobre os atores é que o noivo de Mary, que não é visto no filme (só se ouve sua voz no telefone), foi interpretado por Bradley Cooper.

O último do ato de “Rua Cloverfield, 10” é bem diferente do restante do longa, mas é igualmente interessante. Embora não haja planos concretos para uma sequência no momento, J. J. Abrams e Mary Elizabeth Winstead declararam que participariam de uma continuação. Entretanto, Abrams  ainda está bastante ocupado para poder se dedicar a isso: daqui a alguns meses, será lançado mais um filme da franquia “Star Trek”, “Sem Fronteiras” (Star Trek Beyond), do qual ele é produtor.

NOTA: 9 / 10

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