O que achei do filme “Batman vs Superman: A Origem da Justiça”

<![CDATA[Pôster do filme 'Batman vs. Superman: A Origem da Justiça'

Quando “Batman vs. Superman: A Origem da Justiça” (Batman v. Superman: Dawn of Justice) foi anunciado em 2013, os fãs de Batman ficaram assustados quando souberam que Christian Bale não reprisaria o papel e que este seria uma versão diferente da trilogia anterior, de Christopher Nolan. O escolhido para essa difícil tarefa foi Ben Affleck, para desespero daqueles que lembram do fiasco que foi “Demolidor” (Daredevil, 2003). Pra completar, o filme também é dirigido por Zack Snyder, responsável por “O Homem de Aço” (Man of Steel, 2013), que reconta a história do Superman e que não foi tão bem recebido pela crítica na ocasião. Depois de muito alarde, com propagandas, trailers e muitas ações de marketing, finalmente o longa estreou. E decepcionou, para a surpresa de poucos.

O duelo entre Superman (Henry Cavill) e Zod (Michael Shannon), mostrado em “O Homem de Aço”, deixou rastros de destruição e centenas de mortos. A população de Metropolis e o governo americano estão extremamente receosos com a presença de um ser tão poderoso e potencialmente perigoso. Bruce Wayne (Ben Affleck) também percebe que o Superman precisa ser controlado e, ao investigar Lex Luthor (Jesse Eisenberg), descobre que ele possui um meio de enfraquecer o Homem de Aço: a Kryptonita. E Bruce, como Batman, pretende usá-la para deter o Superman.

Foto de cena do filme 'Batman vs. Superman: A Origem da Justiça', mostrando Bruce Wayne

O roteiro é assinado por Chris Terrio, premiado com um Oscar por “Argo” (2012), e por David S. Goyer, que é co-autor da trilogia Batman, de Christopher Nolan. Apesar do excelente histórico da dupla, o trabalho deixa muito a desejar. Enquanto o primeiro ato do filme é arrastado e tem segmentos confusos, a resolução do conflito é incrivelmente frustrante e mina praticamente todo o desenvolvimento inicial. A sensação é de que o processo de escrita do roteiro sofreu tanta interferência externa que isso transparece no filme. Mesmo relevando os diversos furos em relação aos quadrinhos (adaptações tem esses problemas), é necessário um pouco de fé e boa vontade para admitir muitos eventos do filme.

Zack Snyder apostou muito no visual para este filme, o que já se pode notar pela sequência inicial, o assassinato dos pais de Bruce; são usados vários ângulos e efeitos diferentes que deram toda uma nova perspectiva a uma cena relativamente simples, que inclusive já é conhecida pelos fãs do morcego. Além disso, o diretor parece gostar do recurso de câmera lenta e o utiliza em diversos momentos, quase exagerando na dose. Os efeitos especiais são muito bem produzidos e o 3D é mais eficiente nas sequências com movimentações (como em quase todos os filmes que utilizam a tecnologia). Por outro lado, a edição é estranha: algumas sequências parecem estar deslocadas temporalmente e podem parecer desnecessárias. A trilha sonora de Hans Zimmer e Junkie XL soa pouco inspirada e é bastante genérica, além de não ser memorável e não ter um apelo especial para este filme.

Cena do filme 'Batman vs. Superman: A Origem da Justiça', mostrando Superman sendo aclamado pela população

Henry Cavill faz um bom Clark Kent / Superman, conseguindo transmitir o dilema que seu personagem está vivenciando. Para o alívio dos fãs de Batman, Ben Affleck não deixa nada a desejar. Sua interpretação segura mostra um Bruce Wayne mais maduro, distanciando-se do Batman de Christian Bale. A competente Amy Adams traz carisma e simpatia à Lois Lane, mesmo que ela esteja um tanto secundária nesta história. Mas Jesse Eisenberg faz com que Lex Luthor não lembre mais o personagem frio e calculista dos quadrinhos; o Lex deste filme fala consigo mesmo e tem tantos tiques, que incomodarão qualquer pessoa que já ouviu falar do personagem. Finalmente, Gal Gadot dá as caras neste filme como Diana (aka Mulher Maravilha), mas sua presença foi mais notável na última sequência de ação do filme; ela não teve muito o que mostrar, ainda. O filme também conta com a participação de Jeremy Irons interpretando Alfred, o mordomo de Bruce, desta vez mais capacitado tecnicamente e menos fraternal (uma pena) do que nas encarnações anteriores.

Embora não seja o primeiro filme do Universo Estendido da DC, “Batman vs. Superman” é o primeiro a fazer crossovers de personagens de franquias diferentes. Ainda desse Universo, em Agosto, veremos a estreia de “Esquadrão Suicida” (Suicide Squad) e, no ano que vem, os filmes da “Mulher Maravilha” (Wonder Woman) e “Liga da Justiça: Parte 1” (Justice League Part One). Mas de nada adianta criar um universo cinematográfico se o roteiro desses filmes for tão ruim como foi o caso deste. Ah, e diferente do Universo Cinematográfico Marvel, aqui não há cenas adicionais após os créditos.

NOTA: 5 / 10

Atualização em 27/11/2017: A nota do filme foi atualizada.

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