O que achei de “Vai que Cola — O Filme”

Foto promocional de 'Vai que Cola - O Filme'

Valdomiro (Paulo Gustavo) era rico e morava em uma cobertura luxuosa no Leblon, zona nobre do Rio de Janeiro, mas foi vítima de um golpe de Andrada (Márcio Kieling), um dos sócios da empresa onde também tinha sociedade. Procurado pela Polícia Federal, Valdomiro acaba se refugiando na pensão da Dona Jô (Catarina Abdalla), no bairro do Méier, na zona sul do Rio. Um dia, Andrada o procura novamente com uma estranha (mas tentadora) proposta que o faria voltar para sua vida como era antes. Mas, como a pensão foi interditada pela Defesa Civil, Valdomiro decide abrigar os excêntricos moradores em sua cobertura, o que rende muitas confusões.

Baseado na sitcom homônima transmitida pelo canal Multishow, “Vai que Cola — O Filme”  (2015) funciona mais como um episódio estendido da série, que já não é um primor de qualidade. Também não é necessário ter assistido a nenhum episódio da série para ver o longa. Mas enquanto a série consegue se sustentar razoavelmente em alguns episódios que não contam com Paulo Gustavo, este filme foi feito especificamente para ele. Seu personagem é um dos que mais rompem a “quarta parede”, interagindo frequentemente com o público — o que já é uma característica dos filmes estrelados por Paulo Gustavo.

Cena de 'Vai que Cola - O Filme', mostrando todos no apartamento de Valdomiro

O roteiro do filme tenta desenvolver a história principal, mas acaba anexando várias sequências aleatórias que nada acrescentam, apenas com o intuito de provocar o riso — em vão. Inclusive, a impressão que dá é que algumas sequências foram criadas justamente para promover “os amigos de Paulo Gustavo”, sem contar a quantidade de participações luxuosas (como assim são creditadas). A trilha sonora é muito pobre: a música “Caraca, Muleke!”, do pagodeiro Thiaguinho, toca ao menos 5 vezes ao longo do filme.

O longa conta com todos os personagens regulares da sitcom, com suas rasas profundidades. Neste filme, Paulo Gustavo não está atuando, está sendo ele mesmo. Basta assistir a algum stand-up ou entrevista dele pra perceber que ele não faz esforço nenhum para “interpretá-lo”. Mas ele é um dos destaques do filme, com suas tiradas rápidas e referências que talvez não sejam captadas por todo o público. Samanta Schmutz e Marcus Majella também tem bastante tempo de tela e interpretam personagens bastante carismáticos. O filme ainda conta com a participação de Oscar Magrini e Werner Schünemann.

Foto de cena de 'Vai que Cola - O Filme', mostrando Ferdinando correndo pela praia

O apelo comercial e a veia popular falaram mais alto e o filme teve mais de 3 milhões de espectadores somente nos cinemas. “Vai que Cola — O Filme” não deixa nada a dever para a versão da TV, mas isso não é exatamente um elogio. É mais uma comédia sem graça (que não é da Globo Filmes, diga-se de passagem), que passa longe da criatividade de “Minha Mãe é uma Peça — O Filme” (2012). Por sinal, espero que o ego de Paulo Gustavo não afete tanto a sequência de “Minha Mãe” como afetou aqui.

NOTA: 5 / 10

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