O que achei do filme “A 5a. Onda”

Pôster do filme 'A 5a. Onda'

Baseado no livro homônimo do escritor americano Rick Yancey, o filme “A 5a. Onda” (The 5th Wave) tenta pegar carona nas sagas de livros que acabaram se tornando blockbusters, como “Divergente” e “Jogos Vorazes”, colocando uma protagonista feminina contra algum mal opressor. O que poderia ser um diferencial neste caso é que a história de “A 5a. Onda” se passa no mundo atual, ao contrário dos futuros distópicos dessas outras sagas. Infelizmente, o filme deixa muito a desejar, e não só para os fãs do livro.

Cassie Sullivan (Chloë Grace Moretz) é uma adolescente comum, que escreve diários e tem queda por um garoto do time de futebol de sua escola. Essa vida normal sofre um rebuliço quando uma enorme nave espacial surge nos céus de sua cidade. Os seres desconhecidos, apelidados de “Os Outros” começam a interferir no planeta através de ondas de ataques. A população vai sendo reduzida a cada onda e a família de Cassie também não é poupada. Além de tentar sobreviver, ela vai proteger seu irmão e buscar uma forma de impedir que a 5a. onda ocorra.

Foto de cena do filme 'A 5a. Onda', mostrando Cassie entre carros abandonados

Renegando as cenas de ação para momentos tardios do filme, o roteiro faz com que o ritmo fique bem arrastado. Seria algo normal para o primeiro filme de uma trilogia, onde há muitas explicações para dar, mas não é o caso. Muitas perguntas ficam sem respostas, mesmo depois do final do filme (que também deixa muito a desejar). Além disso, o clima de romance adolescente acaba sendo o foco principal em várias cenas e chega a ser irritante.

Foto de cena do filme 'A 5a. Onda', mostrando Evan e Cassie

Uma característica que todos os filmes neste estilo têm em comum é o uso de efeitos especiais; nem todos conseguem ter êxito neste quesito. Infelizmente, este é o caso de “A 5a. Onda”. As cenas que mostram as consequências da segunda onda são extremamente mal feitas. A fotografia nas cenas noturnas na floresta também é muito ruim: tudo é extremamente escuro e mal dá para se enxergar as cenas de ação, que já são poucas ao longo do filme.

Sou suspeito para falar de Chloë Grace Moretz, pois não a acho boa atriz. Aqui, ela não me surpreendeu em nada e eu não consegui ter empatia por ela como protagonista. Nick Robinson, que interpreta Ben (Zumbi), o seu crush do colégio, tem melhores momentos, mas também não apresenta uma atuação memorável. A Ringer de Maika Monroe aparenta muito a Johanna Mason do filme “Jogos Vorazes”, mas não tem o mesmo carisma. O filme ainda conta com a presença de Liev Schreiber fazendo o Coronel Vosch, um papel que realmente não exige nada além de cara de mau.

Foto de cena do filme 'A 5a. Onda', mostrando Ben e o Cel. Vosch

Alguns jornalistas atribuem o fracasso de “A 5a. Onda” ao declínio do gênero de filmes com obstinação adolescente. Sem dúvida, este segmento já vem sendo explorado há alguns anos (com sucesso por parte de alguns filmes) e essa saturação pode ter influenciado negativamente este longa, em alguma extensão. Mas o roteiro fraco, o andamento irregular e a falta de esmero técnico são grandes problemas deste filme e, provavelmente, são os maiores responsáveis por esse fracasso. Tomara que eles sejam sanados se o segundo livro da trilogia, “O Mar Infinito”, for adaptado para os cinemas.

NOTA: 5.5 / 10

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