O que achei da série “Narcos” – Temporada 1

Imagem promocional da série 'Narcos'

“Narcos” foi mais uma série que acabei deixando de lado para poder assistir aos filmes do Oscar em tempo. Lançada em Agosto do ano passado exclusivamente via streaming, é uma produção original da Netflix em parceria com a rede de TV Telemundo e é marcante para os latino-americanos, por reproduzir a história de um dos maiores traficantes da Colômbia, Pablo Escobar, que é interpretado por nada menos que o brasileiro Wagner Moura. A repercussão foi muito grande e a série foi indicada a prêmios nos Golden Globes (concorreu inclusive a Melhor Série de Drama) e no Writers Guild Awards, do sindicato dos roteiristas de Hollywood. E ela faz por merecer!

A primeira temporada mostra como Pablo Escobar (Wagner Moura) se tornou um dos maiores (se não o maior) traficante da história. Inicialmente um mero atravessador de itens como cigarros e eletrônicos em Medellín, na Colômbia, Escobar é apresentado à recém-descoberta cocaína, uma droga altamente rentável e de custo de produção baixo. Com uma demanda alta, os negócios de Escobar começam a prosperar, inclusive em Miami, o que chama a atenção das autoridades americanas. É aí que os agentes do DEA (Drug Enforcement Administration, um órgão americano para controle / combate das drogas) Steve Murphy (Boyd Holbrook) e Javier Peña (Pedro Pascal) entram, para investigar e tentar conter o cartel de Medellín.

“Narcos” foi idealizada por José Padilha, diretor do sucesso “Tropa de Elite” (2007), que também dirigiu os dois primeiros episódios da série. A série tem um viés muito grande de documentário, mesclando ficção com cenas de arquivo, o que pode influenciar os espectadores a acreditarem na versão apresentada pela série. Embora muitos dos fatos realmente tenham ocorrido, a narração do personagem Steve Murphy (que acompanha todos os episódios) entrega que o roteiro da série mostra o ponto de vista do DEA. Essa “versão americana” dos fatos pode explicar porque a série não foi bem recebida na Colômbia.

As cores pálidas e a movimentação da câmera nas cenas de ação são característicos de Padilha, lembrando bastante seus filmes anteriores. As cenas de ação, frequentes ao longo dos episódios, são muito bem executadas. A trilha sonora tem muitas músicas ao estilo colombiano, que dão o tom da série, embora uma mesma música acabe sendo ouvida em episódios seguidos. Falando nisso, a música-tema, “Tuyo”, foi composta e é cantada por Rodrigo Amarante, da banda Los Hermanos.

Cena da série 'Narcos', mostrando Steve Murphy e Javier Peña durante investigação

Tendo que se virar ao lado de atores que falam Inglês e Espanhol fluentemente, Wagner Moura recebeu críticas por conta de seu “Portunhol”. Os que já estudam a língua provavelmente vão se irritar um pouco com isso, mas a atuação de Moura faz com que essa característica acabe virando um mero detalhe. De todos os atores, Moura tem uma atuação mais orgânica, e é o que melhor transmite as emoções enquanto fala. Apesar disso, sua atuação na saga “Tropa de Elite” permite que ele seja mais dinâmico do que aqui. A maioria das atuações é boa, mas Boyd Holbrook é um dos que mais deixa a desejar. Ele não tem uma boa presença e não é convincente como protagonista; neste quesito, Pedro Pascal é bem mais carismático.

A indicação de Wagner Moura ao prêmio de Melhor Ator nos Golden Globes foi justa e bastante celebrada, mas ele realmente não tinha como bater Jon Hamm, de “Mad Men”. Porém, ele e a série poderão ter uma nova chance nas premiações com a próxima temporada de Narcos, cuja estreia está prevista para o segundo semestre. Estes 10 primeiros episódios deixaram um gostinho de “quero mais” pra muita gente, assim como pra mim. E, desta vez, eu farei o possível para assistir os novos episódios na época em que forem lançados.

NOTA: 8,5 / 10

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