O que achei do filme “Zootopia: Essa Cidade é o Bicho”

Pôster do filme 'Zootopia'

Lançado na última Quinta-feira nos cinemas brasileiros, “Zootopia: Essa Cidade é o Bicho” (Zootopia) é o mais novo filme dos Walt Disney Animation Studios, responsáveis pelos sucessos “Frozen: Uma Aventura Congelante” (Frozen, 2013) e “Operação Big Hero” (Big Hero 6, 2014). A animação vem fazendo sucesso nos EUA desde sua estreia, quando assumiu o topo das bilheterias, destronando “Deadpool”. Aqui no Brasil a coisa não está sendo diferente: o filme também estreou na liderança, arrecadando quase R$ 10 milhões somente neste fim de semana. Embora muito provavelmente não repita o fenômeno “Frozen”, o longa é muito divertido!

Judy Hopps (Ginnifer Goodwin / Monica Iozzi) é uma coelha que vive no interior e que sonha em se tornar um policial, contrariando seus pais, agricultores tradicionais. Para realizar o seu sonho, ela vai para a cidade grande, Zootopia, onde acredita que todos podem ser o que quiserem. Embora tenha conseguido ingressar na polícia de Zootopia, Judy precisa lidar com uma realidade que não esperava encontrar, inclusive enfrentando preconceito por ser a primeira e única coelha policial. Tentando reverter essa situação, ela consegue assumir o caso do desaparecimento de um animal e conta com a improvável ajuda de Nick Wilde (Jason Bateman / Rodrigo Lombardi), uma raposa esperta e sagaz, para solucioná-lo. Mas a investigação acaba tomando rumos inesperados e perigosos.

Cena do filme 'Zootopia', mostrando Judy e Nick no departamento de trânsito

Já se passou o tempo em que animação era sinônimo de “filme exclusivo para crianças”. E “Zootopia” realmente não foge desta tendência, graças a um roteiro que aproveita para fazer diversos paralelos e críticas à sociedade atual, de forma bem-humorada, enquanto desenvolve a história principal. Outro acerto são as paródias que o filme faz de marcas, lojas e programas verdadeiros (inclusive filmes da própria Disney). O longa é repleto de cenas engraçadas (é impossível não rir da sequência no departamento de trânsito), mas o andamento da trama fica um pouco prejudicado por conta disso.

A história de “Zootopia” não traz muita coisa inovadora; ela segue uma certa fórmula, na verdade. Durante a investigação, Judy e Nick passam por situações diversas em busca de pistas e o trunfo do filme é fazer com que todas elas sejam divertidas, mesmo abordando temas que já estão batidos, como a máfia de “O Poderoso Chefão” (The Godfather, 1972). Apesar de ser um filme extremamente dinâmico (para prender a atenção dos pequenos espectadores), os personagens conseguem ser desenvolvidos de forma satisfatória, até mesmo os secundários.

Cena do filme 'Zootopia' mostrando o Chefe Bogo falando com Judy

Animado em 3D, é perceptível não só o cuidado com o design dos personagens, como também com os cenários: a sequência em que Judy está percorrendo os distritos de Zootopia é bastante rica neste quesito. A trilha sonora é muito eficiente e também é fundamental em algumas piadas, como quando Judy volta para casa depois de seu primeiro dia de trabalho. Por sinal, a música-tema, “Try Everything”, toca ao longo do filme e foi composta por Sia e pelo duo Stargate, sendo cantada por uma das personagens do filme, a Gazella, cuja voz original é a da cantora Shakira.

A versão brasileira do filme tem algumas peculiaridades, além do título. Os nomes de alguns personagens foram adaptados, por exemplo: o nome do prefeito mudou de Leodore Lionheart para Leãonardo e o policial recepcionista mudou de Benjamin Clawhauser para Benjamin Garramansa. Outra exclusividade brasileira é o personagem Onçardo Boi Chá, dublado pelo jornalista Ricardo Boechat. Enquanto nos EUA os âncoras do jornal são alces, no Brasil os âncoras são onças-pintadas, assim como na Austrália são Coalas e por aí vai. Mas apesar deste cuidado com a regionalização, a música-tema não foi dublada, como normalmente os filmes da Disney costumam fazer. Ela sequer teve legendas, diga-se de passagem.

Cena do filme 'Zootopia', mostrando Judy ouvindo Nick contar sua história

Embora conte com a presença de atores globais nos papéis principais, a dublagem brasileira está boa. Por sinal, este é o terceiro trabalho de Rodrigo Lombardi em um filme Disney — ele fez o príncipe Naveen de “A Princesa e o Sapo” (The Princess and The Frog, 2009) e o Lorde Dingwall em “Valente” (Brave, 2012) — e ele demonstra ser bastante talentoso nesta arte. E, ao contrário do que possa se pensar, Shakira não faz a voz das falas de Gazella na versão brasileira (embora ela saiba falar português). Esta tarefa ficou a cargo da dubladora Cássia Bisceglia.

Apesar dos clichês e de alguma repetitividade, “Zootopia” é uma animação tão divertida que consegue cativar espectadores de todas as idades e faz estes problemas ficarem pequenos diante da sensação de alegria que proporciona.

NOTA: 9 / 10

PS: A review foi feita com base na versão 2D. O filme também foi lançado em versões 3D e 3D IMAX.

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