O que achei de “Team”, single de Iggy Azalea

Capa do single 'Team', de Iggy Azalea

A australiana Iggy Azalea já vinha batalhando por uma carreira musical desde o início desta década (quase virou cantora de pop no processo) quando finalmente estourou em 2014 com “Fancy”, em parceria com a britânica Charli XCX. A rapper imediatamente chamou a atenção do mundo com seu álbum de estreia, “The New Classic”, que lhe rendeu diversas indicações (inclusive ao Grammy) e vários prêmios, como o Top Rap Artist da Billboard em 2015. Isso também lhe rendeu parcerias com artistas como Ariana Grande, Jennifer Lopez e Britney Spears. Mas ela não escapou ilesa das críticas.

Iggy foi e continua sendo alvo de críticas por supostamente não ser autêntica, imitando a forma e os trejeitos de rappers negros (muitos acham que ela não escreve as próprias letras). Particularmente, o ano passado não foi fácil para ela: além de atritos com o movimento LGBT por conta posts de 2010 em sua conta pessoal no Twitter (o que a fez cancelar participação na parada gay de Pittsburgh), sua turnê “The Great Escape” foi cancelada mesmo após o início das vendas de ingressos. Todos esses reveses talvez expliquem o tom de “Team”, o primeiro do seu novo álbum “Digital Distortion”, que deve ser lançado ainda no primeiro semestre deste ano.

Foto promocional de Iggy Azalea

O single, lançado na última Sexta-Feira, é um hip-hop com pegada eletrônica e acaba sendo uma aposta ousada de Iggy, considerando que seus maiores sucessos não são solo, como este. A letra de “Team” fala basicamente que a carreira de Iggy não acabou e demonstra que ela tem confiança suficiente pra seguir em frente, pois não precisa de ninguém: “Baby, eu tenho a mim / E isso é tudo o que preciso / Sou o único amigo que preciso ter”. A música ainda faz uma interpolação com “Back That Azz Up”, um sucesso de 1999 do rapper Juvenile.

Embora este seja o primeiro single do álbum “Digital Distortion”, Iggy já tinha liberado a faixa “Azillion” em Janeiro no SoundCloud, uma grata surpresa, que consegue bem mais empolgante e menos simples do que “Team”, mas que não será lançada como single (uma pena, pois também é uma música solo). Até a letra de “Azillion” parece mais inspirada do que a deste single, onde ela usa palavras de outras línguas (“pronto” do português, e “andale” do espanhol) e faz trocadilhos com o nome de Kylie Jenner (que não é Kardashian, como a letra tenta forçar). O refrão aqui também não tem muita força e é bem menos cativante do que os refrões de seus sucessos anteriores “Fancy” e “Black Widow”.

Foto de Iggy Azalea se apresentando em um show

Ao longo do desenvolvimento de “Digital Distortion”, Iggy afirmou que chegou a descartar 6 meses de trabalho para reiniciar do zero e revelou que o novo álbum será mais eletrônico e uptempo, o que foi possível perceber com “Azillion”. Entretanto, “Team”, escolhida como primeiro single desta nova etapa de sua carreira, acaba ficando na mesmice e chega a ser um tanto monótona, e talvez não faça o sucesso esperado. Para promovê-la, foi lançado um dance video (baseado na estratégia de Justin Bieber com o ótimo vídeo para “Sorry”), sem a presença de Iggy. Mas, em breve, teremos uma nova versão circulando, onde a rapper deve dar as caras.

NOTA: 7 / 10

Atualização em 31/03: Iggy Azalea lançou o vídeo oficial de “Team” hoje. Tem alguns efeitos que lembram a capa do single e alguns segmentos de dança, mas não chega a ser memorável.

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