O que achei de “American Horror Story: Hotel”

Foto promocional da série 'American Horror Story: Hotel', mostrando a Condessa e seus filhos

Por ter priorizado os filmes do Oscar deste ano, só agora terminei de assistir à 5a. temporada de American Horror Story, intitulada “Hotel”; a temporada teve o último de seus 12 episódios exibido pelo canal FX em Janeiro. Os episódios eram transmitidos no Brasil um dia após a exibição nos EUA, uma estratégia para diminuir a pirataria (já que evitar é muito mais difícil). A série tem formato de antologia e cada temporada tem uma história independente, com algumas conexões com as anteriores. Apesar de um início promissor, esta temporada recaiu em problemas habituais das séries de Ryan Murphy, além de apostar mais no apelo visual do que na história.

Como o próprio nome da temporada diz, a série se passa no Hotel Cortez, construído nos anos 30 em Los Angeles. Ao investigar um crime, o detetive John Lowe (Wes Bentley) recebe uma ligação avisando que o hotel pode ter as pistas para o caso. Ao se hospedar no hotel por algum tempo, John não só passa a conhecer os funcionários e moradores, como também vivencia experiências bizarras. Enquanto isso, a misteriosa Condessa Elizabeth (Lady Gaga), dona do Hotel Cortez, decide pôr a propriedade à venda e os eventos que se seguem fazem com que sua vida saia de um controle que, até então, ela achava que possuía.

Cena da série 'American Horror Story: Hotel', mostrando James Marcher e John Lowe

“Hotel” marca a primeira temporada da antologia sem a presença de Jessica Lange; também é a primeira temporada com a presença de Lady Gaga (que confirmou que participará na próxima). A estreia de Gaga foi em grande estilo, interpretando uma personagem forte e imponente, mas cujas nuances demoraram um pouco para aparecer. Mas, quando isso finalmente aconteceu, ela conseguiu dar conta do recado, embora talvez não devesse ter ganho o prêmio de Melhor Atriz de Série de Drama no Golden Globes deste ano. Outras atuações de destaque ficaram por conta de Sarah Paulson, no papel da lunática Sally, e de Dennis O’Hare como Liz Taylor. Ambos foram muito bem em suas cenas, mas a personagem de Dennis tem mais espaço e conta com sequências bem mais interessantes do que Sarah. Já o James Patrick March de Evan Peters não deve agradar a todos,  pois ficou altamente caricato e um tanto “falso”.

E aqui chegamos a um dos principais problemas das séries de Ryan Murphy. Existem personagens demais, poucos conseguem ser bem desenvolvidos, e quando o são, normalmente já se passaram muitos episódios. Esta temporada mal aproveitou os talentos de Kathy Bates e Angela Bassett. Como se não faltasse tempo para desenvolver os personagens da série, ainda vimos muitas participações especiais, como Darren Criss (de Glee), Lily Rabe (que participou de todas as outras temporadas anteriores) e até mesmo a modelo Naomi Campbell. Tantos personagens acabam confundindo o espectador e atrapalham o andamento da história.

Foto de Liz Taylor, personagem da série 'American Horror Story: Hotel'

Como o foco aqui são os vampiros, a sensualidade é altamente explorada em quase todos os episódios da metade inicial da temporada. As tramas dos vampiros e dos mistérios do hotel são os momentos onde a série se sobressai, por sinal. Mas Ryan Murphy não conseguiu dar um bom ritmo para a história da investigação do crime e isso, somado às atuações de Wes Bentley e Chloë Sevigny, tornam as sequências que envolvem John Lowe e sua família extremamente chatas. A partir do momento em que se explica tudo acerca da Condessa e de John, as coisas melhoram um pouco, mas isso só ocorre depois de mais da metade dos episódios. Outro problema das séries de Murphy é o tom de humor que ele utiliza em algumas sequências. Em séries como Glee e Scream Queens, isso é muito frequente e chega a incomodar. Imagine aqui, onde só serve para tirar o espectador do clima de terror e mistério da série (ver Matt Bomer dançando “Hotline Bling” foi engraçadinho, mas desnecessário).

Visualmente, a série realmente faz um bom uso dos cenários e da luz, com tomadas que lembram o filme “O Iluminado” (The Shining, 1980), mais frequentes no início da temporada. Os efeitos especiais também são bem produzidos, algo essencial para se criar um bom clima de terror. Um outro ponto positivo foram as referências e os crossovers com outras temporadas da antologia, explicitamente a primeira (“Murder House”) e a terceira (“Coven”).

Foto de cena da série 'American Horror Story: Hotel', mostrando Sarah Paulson e Wes Bentley

“Hotel” consegue capturar o espectador de cara, mas falha ao demorar para desenvolver sua história principal e seus personagens. Além de paciência, é necessário ter atenção para não perder os detalhes da história, que são mostrados de forma aleatória no início. Quanto ao futuro da série, Murphy já anunciou que a sexta temporada será lançada no 2o. semestre deste ano e que deve  se passar em duas linhas temporais — seria um novo “Asylum”?

NOTA: 7 / 10

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