O que achei do filme “Um Homem Entre Gigantes”

Foto promocional do filme 'Um Homem Entre Gigantes'

Em 2002, o neuropatologista Bennet Omalu (Will Smith) trabalha como legista da Perícia Forense de Allegheny County, na Pensilvânia. Ao investigar a causa da morte de Mike Webster (David Morse), ex-jogador de futebol americano, Omalu descobre que ela foi influenciada por um trauma cerebral. Ao perceber que este é um mal comum entre os atletas do esporte, o mal decide expor sua pesquisa, de forma a tentar mudar este quadro. Mas, antes, Omalu vai precisar reverter o pensamento dos jogadores e da própria NFL, a liga de futebol nacional americana.

“Um Homem Entre Gigantes” (Concussion, 2015) é um filme baseado em uma matéria especial escrita por Jeanne Marie Laskas para a revista GQ em 2009, sobre a relutância da NFL em acreditar nas evidências de Encefalopatia Traumática Crônica (CTE) em jogadores de futebol americano, demonstradas por Omalu e corroboradas por outros médicos. Apesar de ser produzido por Ridley Scott, que também está por trás de “Perdido em Marte” (The Martian, 2015), e contar com estrelas como Will Smith e Alec Baldwin em seu elenco, o filme não foi bem-sucedido nas bilheterias americanas e também não foi muito bem recebido pela crítica. Inclusive, dentre as grandes premiações, só recebeu 1 indicação nos Golden Globes — Will Smith, como Melhor Ator de Drama, prêmio que perdeu para Leonardo DiCaprio, por “O Regresso” (The Revenant, 2015).

Foto de cena do filme 'Um Homem Entre Gigantes', mostrando Omalu e Bailes em um restaurante

Enquanto a história principal do filme é contada de um forma um tanto arrastada, a trama paralela sobre a vida pessoal do médico acaba se tornando descartável. O roteiro não busca demonstrar como a relação entre Omalu e Prema vai evoluindo ao longo do tempo, apresentando apenas recortes desta ao longo da história. Por sinal, a sequência que mostra Prema sendo perseguida por um carro, durante a fase em que Omalu está sofrendo pressão da NFL, nunca ocorreu na realidade, assim como a fatalidade que ocorre na família (supostamente por consequência do estresse causado por toda a situação). O roteiro também inclui uma cena em que o diretor da Perícia Forense, que apoiou Omalu nas pesquisas, é indiciado por uma série de acusações. Na realidade, ele foi mesmo indiciado, mas isso foi anos antes da primeira publicação de pesquisas relacionadas ao assunto tratado no filme. O pior é que nem essas “liberdades” do roteiro ajudam a melhorar o ritmo do filme.

Foto de cena do filme 'Um Homem Entre Gigantes', mostrando Prema e Omalu próximos a um rio

Fica evidente que o filme também tinha o objetivo de fazer Will Smith receber alguma indicação por conta de sua interpretação. Apesar de fazer um trabalho regular, sua atuação está longe de ser carismática como em seus filmes anteriores. Seu personagem não domina todas as cenas em que aparece e ele mal consegue demonstrar expressões mais variadas. Outro detalhe é que seu sotaque pode incomodar depois de alguns minutos. Ele não recebeu sua aguardada indicação ao Oscar e foi um dos que boicotou a cerimônia por conta da falta de representantes negros nas categorias. Uma coisa se pode afirmar: sua atuação precisava ser bem mais cativante para conseguir uma indicação. Diante de um roteiro que não desenvolve bem seus personagens, Alec Baldwin também não consegue fazer muita coisa como o Dr. Julian Bailes, mas está bem no papel. Luke Wilson também participa, mas de forma bastante subaproveitada. E Mike O’Malley, o pai de Kurt em Glee, também marca presença (nada mais que isso), no começo do filme.

Cena do filme 'Um Homem Entre Gigantes', mostrando Omalu em um estádio de futebol americano

Tecnicamente, o longa é bem produzido, mas não tem nada que seja memorável. Mesmo focando bastante no CTE, “Um Homem Entre Gigantes” desperdiça uma grande oportunidade ao não conseguir evocar a reflexão do espectador sobre as consequências desse esporte para a saúde dos atletas.

NOTA: 6,5 / 10

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