O que achei do filme “A Bruxa”

Cena do filme 'A Bruxa', mostrando Thomasin perdida na floresta

Na Nova Inglaterra do século XVII, William (Ralph Ineson), sua esposa Katherine (Kate Dickie), e seus filhos Thomasin (Anya Taylor-Joy), Caleb (Harvey Scrimshaw), Mercy (Ellie Grainger) e Jonas (Lucas Dawson) são expulsos de uma colônia por conta de suas crenças, consideradas inapropriadas pelos habitantes. Meses depois, apesar de seu isolamento, a família já se encontra estabelecida em sua pequena fazenda, ao lado de uma grande floresta. Mas o sumiço do filho recém-nascido, Samuel, e os problemas na colheita abalam a estrutura da família, que também acaba sendo afetada pelas forças malignas oriundas da floresta.

“A Bruxa” (The Witch: A New England Folktale, 2015) é uma grande estreia para Robert Eggers, diretor e roteirista do filme, que iniciou sua carreira trabalhando com figurino e direção de arte. Esta influência fica evidente ao se notar o grande cuidado com a ambientação, os cenários e os detalhes. Ao contrário do que se possa pensar, o longa definitivamente não tenta ser mais um filme de terror com sustos, como “Atividade Paranormal” (Paranormal Activity, 2007). Mas a história da família temente a Deus e o clima macabro que persiste ao longo de todo o filme constroem uma tensão grande, que é complementada com algumas cenas perturbadoras.

Cena do filme 'A Bruxa', mostrando a família orando antes de jantar

Eggers passou de 4 a 5 anos realizando pesquisas sobre a época retratada, os seus costumes e, claro, os relatos de bruxaria. Isso resulta em um roteiro bem trabalhado, com diálogos em dialetos referenciados pelas pesquisas de Eggers; o texto do roteirista permite que se conheça as nuances de cada membro da família, embora seu primeiro ato seja mais longo do que se espera. Algumas sequências remetem a outro grande filme de terror psicológico, “O Iluminado” (The Shining, 1980). A trilha sonora funciona muito bem, criando uma atmosfera sinistra e agoniante com sons que crescem gradativamente, mas também há diversos momentos silenciosos, resultando em um equilíbrio eficiente neste quesito.

As atuações, um detalhe muito importante neste tipo de filme, estão boas e colaboram para manter o clima de tensão do filme. Em uma das cenas mais fortes do filme, Harvey Scrimshaw demonstra todo seu potencial, acompanhado por um ótimo desempenho de Kate Dickie. Anya Taylor-Joy cumpre bem seu papel de protagonista, mas poderia ter sido mais expressiva em algumas cenas. Já as crianças mais jovens têm muito carisma e são responsáveis por alguns dos poucos momentos de descontração do filme.

Cena do filme 'A Bruxa', mostrando Thomasin fora de casa, à noite

Tido como um representante do “novo terror” no cinema, “A Bruxa” é um filme inteligente, conciso e bem produzido, tanto esteticamente como tecnicamente. Por ter sido uma grande surpresa no Festival de Sundance em 2015, não foi difícil encontrar distribuidoras interessadas nele. Infelizmente, em sua campanha de marketing, o longa foi vendido como um filme de terror convencional, o que possivelmente está frustrando muitos espectadores que esperavam mais sustos.

NOTA: 8,5 / 10

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